Os vereadores da oposição da Câmara de Belmonte, Carlos Afonso (CDU) e José Mariano (PSD) votaram na última quinta-feira, 20, contra o assumir de rendas de casa por parte da autarquia para instalar novos engenheiros informáticos brasileiros na vila.
O executivo aprovou, com o voto de qualidade do presidente António Dias Rocha (que votou a favor tal como o seu vice, Paulo Borralhinho), três contratos de arrendamento habitacional, com a empresa Teias e Matrizes, para alojar em três apartamentos três novos técnicos, e respetivas famílias. A autarquia pagará, por cada renda, cerca de 600 euros mensais, num total anual de 21 mil euros.
“Não posso concordar. É inflacionar brutalmente as rendas de casa cá. 600 euros uma renda de casa em Belmonte ultrapassa tudo o que é razoável. Da Wit Software não temos visto grandes resultados, estamos a arrendar casas para ter cá essas pessoas em Belmonte, mas há pessoas cá, com ordenados baixos, que não conseguem cá viver. É errado. Pagar 21 mil euros por ano para as pessoas virem para cá trabalhar? Que façam como os que cá estão. Que venham trabalhar e paguem as suas contas” disse o vereador da CDU, Carlos Afonso, que afirma que os cerca de três anos de experiência do protocolo fixado com a Wit Software até agora tiveram “resultado zero”.
Também o vereador do PSD, José Mariano, recorda que as expetativas criadas em torno da empresa foram altas, mas não se confirmaram. “Dizia-se que nesta altura teriam cá 300 engenheiros. Mas não é isso que acontece. É uma desilusão total” aponta, justificando o voto desfavorável.
O presidente da autarquia, António Dias Rocha, nega as críticas. Lembra que existe um regulamento de apoio municipal a iniciativas empresariais, aprovado por unanimidade, e que se está apenas a cumprir o mesmo. E dá como exemplo o Fundão, onde “dizem que existem mais de mil engenheiros informáticos, mas não se veem nas ruas” aponta. “Em Belmonte temos 15. Vamos avançar para a construção de 100 casas, se não temos gente para elas, não vale a pena fazer. Estes contratos não são para gente da Wit, mas sim para três engenheiros da PDM (empresa de novas tecnologias), e não é para pagar a vida toda. É só o primeiro ano. Estamos a inflacionar o quê, se não conseguimos arranjar casas mais baratas? Arranjem-me lá casas a 300 euros, que a gente aluga essas” afirma. “Estamos a ser inovadores e a acreditar no nosso potencial, no futuro” salienta.
Recorde-se que em abril de 2022, a Câmara assumiu um protocolo de colaboração com a empresa Wit Software para assumir o pagamento de rendas de casa, durante um ano, aos engenheiros informáticos brasileiros que se viessem a fixar na sua filial, na vila. Na altura, a empresa sediada em Coimbra apresentou o programa de inovação digital “Belmonte Connect”, que iria implementar no município e que incluía a criação de um centro de desenvolvimento tecnológico e a contratação de profissionais de software, portugueses e estrangeiros, numa parceria com o Município e a CCDR do Centro. “A Câmara compromete-se a arranjar habitação para estes engenheiros e durante um ano é da nossa responsabilidade o pagamento da renda. Já os compromissos de água e eletricidade são da responsabilidade ou da empresa, ou das pessoas que vêm. Passado um ano, a empresa e pessoas que cá estiverem, terão que se entender. O nosso compromisso é de um ano” garantia ao NC o presidente da autarquia, António Dias Rocha.
Em comunicado, Luís Moura e Silva, fundador e CEO da Wit, afirmava que “um dos desígnios da empresa passa por contribuir para o desenvolvimento do País, e o concelho de Belmonte é um retrato fiel do problema demográfico português que temos que resolver para que as que as gerações vindouras encontrem um país melhor, com oportunidades de trabalho e onde se possam fixar”. Até ao final de 2025, a Wit ambiciona contratar mais 300 engenheiros, nacionais e internacionais, para actuar nos seus escritórios. Segundo a empresa, o nome do programa a desenvolver, “Belmonte Connect” estava relacionado com a história do concelho. “No ano de 1500, Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. Agora, a partir de 2022 serão engenheiros do Brasil que irão povoar a terra natal de Cabral, e trabalhar naquela empresa tecnológica.”