“Aguarda Referendo” incita aos valores de Abril

Peça sobe ao palco do TMC no sábado, mas nas escolas decorrem esta semana ações que sensibilizam para valores como a democracia e liberdade

É uma peça diferente, que tem por base a democracia, a discussão pública e o direito à escolha. O Teatro Municipal da Covilhã (TMC) é palco, no próximo sábado, 24, pelas 21:30, do espetáculo “Aguarda Referendo”, da companhia Camisola Negra.

Trata-se de um concerto participativo dirigido por João Figueira, que convida o público a votar e a decidir o rumo de cada apresentação. Inspirado nos princípios do 25 de Abril de 1974, “o espetáculo só ganha sentido com a participação ativa da plateia”, explica o TMC em comunicado.

Com um formato próximo de um jogo, o espetáculo parte sempre do mesmo ponto de origem, mas abre caminhos e perspetivas diferentes em função das escolhas do público. Cada concerto é único, se o público assim decidir. Ao invés de abordar a política pelas vias tradicionais, “Aguarda Referendo” cria um diálogo vivo com quem assiste, transformando cada concerto num espaço de participação ativa, onde público e intérpretes moldam juntos a experiência.

“Aguarda Referendo” é um dos projetos apoiados pela edição de 2024-25 do programa Arte pela Democracia, uma iniciativa da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril em parceria com a Direção-Geral das Artes. O programa promove projetos artísticos que se enquadrem nas Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e que contribuam para a reflexão sobre a relevância deste acontecimento na construção da democracia.

No âmbito do serviço de Comunidade e Mediação de Públicos, o TMC realiza ainda na tarde de sexta-feira, 23, uma sessão extra do espetáculo exclusiva para alunos do 3º ciclo e do ensino secundário do concelho da Covilhã.

Ainda no mesmo âmbito e como complemento à apresentação do espetáculo, o TMC e a Camisola Preta estão a desenvolver, desde ontem (e até quinta-feira, 22), nas escolas do concelho, um conjunto de ações denominadas “As portas que voto abriu”. Nas escolas EPABI – Escola Profissional de Artes da Covilhã, Escola Secundária Frei Heitor Pinto, Escola do Terceiro Ciclo do Teixoso e na Escola Secundária Quinta das Palmeiras, realizam-se 17 sessões, com a participação de 29 turmas e abrangendo 460 alunos.

Esta iniciativa resulta de uma parceria da Camisola Preta com o movimento “Eu Voto!” e o seu fundador, Vasco Galhardo, com o objetivo de incutir a literacia política na comunidade escolar e para esclarecer e debater a importância do voto. As ações formativas “As portas que o voto abriu” consistem em sessões de 50 minutos onde se abordam as bases de uma democracia, as diferenças entre o pré e o pós 25 de abril de 1974 no regime político português, a importância do voto e as consequências da abstenção. “Pretende-se fomentar o interesse dos jovens pela participação democrática e questionar a importância do ato de votar e da discussão pública para a manutenção de uma democracia saudável” explica o TMC.

A Camisola Preta é uma companhia artística multidisciplinar, formada oficialmente em 2023, no Fundão, por João Figueira.

Os ingressos para o espetáculo de sábado já estão à venda, por seis euros para público em geral, 4,5 euros para maiores de 60 ou menores de 30 anos.

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