Lixo faz aumentar fatura de água em Belmonte

Aumento de 33% nos resíduos sólidos vai repercutir-se na fatura da água dos munícipes

Uma proposta de “ajustamento” que, mesmo assim, “é satisfatória para os munícipes” num concelho em que as tarifas “já não são tão baixas como isso”. É esta a opinião do presidente da Câmara de Belmonte, António Luís Beites, sobre os tarifários para 2026 dos serviços de abastecimento de água, saneamento de águas residuais e gestão de serviços, que sofrem um aumento que foi aprovado, na última sexta-feira, 23, por maioria, pelo executivo.

Em dezembro, o executivo tinha anunciado que não iria aumentar preços, mas que eventuais ajustamentos dependiam de um relatório da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), que considera que uma vez que o setor é deficitário, e não se sustenta por si, tinha que ser revisto. Os dados chegaram à autarquia agora e o executivo decidiu aumentos de 3,2% na água, uma redução de 14% no saneamento, e um aumento de 33% na gestão de resíduo sólido, uma subida significativa que se irá repercutir na fatura final.  Uma “ginástica” contabilística que tem por objetivo fazer com que os munícipes não sintam tanto as subidas, que são, segundo o autarca belmontense, inevitáveis nesta altura. “Nos últimos cinco anos, o valor da tonelada paga à Resiestrela duplicou. Tentámos diluir o aumento nos resíduos nas tarifas da água e saneamento. A Câmara não tem tido uma estratégia para este sector, onde é preciso melhorar a eficiência dos recursos para no futuro podermos chegar a uma redução de tarifas”, afirmou António Luís Beites.

O autarca belmontense adiantou ao NC que os municípios estão “muito preocupados” com os constantes aumentos do preço da tonelada de lixo para tratamento, que já colocaram esta condição à tutela porque “a previsão é que continue a aumentar. É uma preocupação que temos que ter todos para não repercutir nos nossos munícipes”, salientou.  Durante a reunião, o autarca lamentou a falta de investimento no sector da água. “Temos roturas todos os dias. São perdas de água gritantes. Temos condutas mal dimensionadas que não aguentam a pressão. É inadmissível nos dias de hoje termos freguesias sem água durante dois dias”, acrescentou António Luís Beites, que pretende que o município possa, no futuro, promover um projeto de reabilitação de todo o sistema, desde condutas a coletores. Aliás, a água da chuva é também um problema que se traduz em mais despesa para os munícipes. “Se tivermos coletores seletivos que consigam tirar a água da chuva do saneamento, deixamos de pagar essa água ao metro cúbico nas ETARES, que é o que hoje acontece. E naturalmente, a fatura quando chove é diferente de quando não chove” salienta o autarca. Porém, para colocar tudo em ordem “são precisos muitos milhões de euros”, lembra, o que neste momento considera ser impossível face à fraca tesouraria do município. “É preciso dinheiro e tesouraria. E depois, sim, ir aos financiamentos”, afirma o autarca belmontense que espera poder ir buscar alguma verba ao Portugal 2030.

O vereador do PSD, Humberto Barroso, que votou contra a proposta, afirma que com esta medida cada cidadão, em média, terá aumentos globais na ordem dos 11%. Barroso reconhece que a água é dos principais problemas do concelho, que se deve fazer uma aposta na diminuição da produção de resíduos indiferenciados, e que combater as perdas de água, bem como a deficitária faturação. “No último ano, apenas 44% da água foi cobrada” denuncia, considerando que não devem ser os munícipes a pagar os prejuízos de um mau serviço. O social-democrata pergunta ainda se com estas medidas o concelho será atrativo, para ter mais residentes, ou conservar os que tem. “Quem é que quer para cá vir, ou ficar? Estamos a promover a perda de pessoas”, salienta. “Temos dívida e não temos um bom serviço. Os cidadãos perguntam para onde foi o dinheiro. Vai-se pela via mais fácil, que é aumentar o valor, mas este aumento será caótico para algumas famílias”, garante.

António Luís Beites diz partilhar destas preocupações, mas que sem investimento, que nesta altura não se consegue realizar, é “impossível” cumprir as metas apontadas pela ERSAR. “O município já o devia ter feito há muitos anos, e não o fez. Nem projetos temos. Concordo com a sua opinião. É a realidade que temos. Este é um trabalho que quero fazer, pois e conseguirmos maiores ganhos de eficiência, no futuro poderemos reduzir tarifas”, afiança o autarca, que garante que a água é um sector em que é necessário investir “a médio/longo prazo”. O presidente da Câmara recorda que o tarifário é apenas para 2026, que para o ano pode ser revisto. “Não é para um mandato” salienta, lembrando haver alguns descontos para famílias com menos recursos ou numerosas.

O edil anunciou também que a partir de abril, a faturação será da direta responsabilidade da Câmara, que tinha este serviço adjudicado a privados. Uma poupança de “mais de seis mil euros por mês”, assegura.

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