O presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, garante que a cultura é um dos setores que a autarquia valoriza, e recorda os anos em que a sala do atual Teatro Municipal (TMC) esteve fechada, transformando-se hoje num espaço com excelentes condições. A resposta dada ao vereador da coligação Mais Covilhã (CDS-PP/IL), Eduardo Cavaco, que na última sexta-feira, 6, no final da reunião privada do executivo, criticou a política cultural seguida pelo município.
Eduardo Cavaco considera que a cultura devia ser “um pilar de desenvolvimento do concelho”, mas é tratada “como um assunto menor”. O vereador da oposição defende uma programação mais regular no TMC. “Um teatro municipal não pode funcionar com um ou dois espetáculos por semana. Se queremos ser uma cidade atrativa e cosmopolita, o mínimo são quatro espetáculos por semana”, sublinha.
Cavaco, que considerou que a cultura “navega à vista” na cidade, disse que a Covilhã tem perdido terreno para outros municípios da região, até para “cidades mais pequenas que têm hoje mais programação cultural do que a Covilhã”, alertou para a ausência de uma política cultural estruturada após vários mandatos de maioria absoluta e destacou a necessidade de maior transparência quanto ao orçamento anual do TMC. “É fundamental saber qual é o orçamento anual do teatro, por uma questão de transparência e rigor”, defendeu, acusando o executivo de não apresentar uma estratégia clara. O vereador criticou ainda a forma como têm sido feitas nomeações para cargos de direção e programação do TMC, considerando que estas revelam “falta de critérios claros, transparência e rigor.” E defendeu “concursos públicos claros e transparentes para cargos de direção e programação cultural”. Eduardo Cavaco destacou, como aspeto positivo, o lançamento do TMC Cinema, desenvolvido em parceria com a UBI.
Hélio Fazendeiro considerou de “injustas” as críticas do vereador. “Acho que é uma crítica injusta e infundada, que é desmentida pela realidade e pelos números”, afirmou o autarca, que garante que o TMC “nunca esteve a navegar à vista”, teve uma direção que concretizou um rumo e uma estratégia política municipal, lembrando que a sala esteve encerrada durante vários anos e foi reaberta após uma reabilitação profunda. “Devolveu à cidade e ao concelho uma sala de espetáculos extraordinária, com um conjunto de ações que reforçam o posicionamento da Covilhã como um dos principais centros culturais do Interior”.
Fazendeiro garantiu que já apresentou a Cavaco as linhas da programação futura do TMC, e enalteceu o que tem sido seguido em termos de descentralização cultural. “Temos um programa que permite às freguesias, nomeadamente às mais afastadas, trazer munícipes para participar e desfrutar dos espetáculos no Teatro Municipal e noutras infraestruturas”, lembrou.
Sobre nomeações para chefias, nomeadamente do novo diretor do TMC, Fazendeiro disse que “não é um título académico que qualifica mais ou menos alguém para exercer um cargo”, e que o atual diretor do teatro, Ricardo Marques, “tem mostrado capacidade”, estando há muito envolvido em atividades culturais da cidade e “dado provas em diversos projetos”.
