Autarca garante que habitação e regeneração urbana são prioritárias

Temas foram objeto de debate na Assembleia Municipal da Covilhã

O presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, assegurou na segunda-feira, 23, durante a assembleia municipal, que a habitação e a regeneração urbana serão duas prioridades do seu mandato. A garantia deixada aos deputados que, no habitual debate de grupos municipais, discutiram os dois temas propostos pelo PSD e PS.

António Saraiva, do PSD, em termos de habitação recordou que a Covilhã foi, ao longo dos anos, intervencionada “aos bocados”, sem estratégia, e apelou ao uso das ferramentas hoje existentes, como o Plano Diretor Municipal, para ter habitação mais harmoniosa. O deputado criticou que, em termos de habitação social, se tenha optado por construir bairros sociais, como no Teixoso e Tortosendo, “segregando a população”, e apelou a que a requalificação do Centro Histórico possa ser uma oportunidade para alojar gente de vários estratos sociais. Recordando que o PSD, quando executivo, apostou muito na habitação social, Saraiva perguntou ao PS quantos fogos construiu nos últimos três mandatos. Pelo mesmo partido, Ana Simões também tocou no mesmo, e garantiu que hoje, “a Covilhã precisa de casas”.

Vítor Reis Silva, lembrando o trabalho de Teotónio Pereira na Covilhã, disse que, tal como o arquiteto defendia, é necessário “definir a ideia de cidade que queremos” “Os planos estão feitos. É preciso é vontade política para executá-los” disse o deputado do PCP. O eleito recordou ainda que existem ferramentas como as ARU’s (Áreas de Reabilitação Urbana) que devem ser melhor utilizadas para o ordenamento do território.

Amadeu Alberto, do Chega, lembrou que hoje, na Covilhã, a procura estudantil por uma casa aumentou e que a oferta “é pouca”, ou a existente, demasiado dispendiosa, “absorvida” pelos privados. “O problema é estrutural”, vinca, alertando que hoje se corre o risco de “esvaziar as freguesias” e que em termos urbanos, mais do que estudos, é necessária “ação”. Francisco Farias, do mesmo partido, frisou que regeneração urbana “não é só devolver edifícios” à cidade, mas sim “dar vida às ruas e fazer com que se queira cá viver, estudar ou trabalhar”. Segundo o deputado, lidar com o problema de forma isolada “é sinal de insucesso”.

Pelo CDS, Vera Oliveira acusou o PS de “falta de visão” no que diz respeito à habitação, e que a sua “inércia” tem tido consequências. “Há jovens famílias que não ficam porque não se conseguem fixar”, frisa, face à oferta do mercado imobiliário. A deputada apelou à redução de taxas, que incentive pessoas a reabilitar casas, nomeadamente na zona histórica, e que se passe rapidamente “do planeamento à ação”, para se evitar mais perda de população. O CDS acusou ainda os executivos socialistas de “falta de ambição” durante 12 anos, em termos de espaço urbano, um tema que “exige muito mais que boas intenções”.

O Movimento Independente pelas Pessoas (MIPP), por Paulo Rosa, disse que a cidade não está hoje mais viva que há 12 anos atrás, com uma cidade cheia de prédios devolutos, idosos “em resiliência” e jovens “que não ficam cá”, e que a regeneração urbana “não é só regenerar paredes, é recuperar comunidade”.

Pelo PS, Catarina Mendes afiançou que mais que projetos no papel, há já muito trabalho efetivo no terreno, no que diz respeito à habitação, com vários exemplos de recuperação no Centro Histórico, criticando o PSD por ter promovido uma habitação social que “não integrou socialmente” as pessoas. Afonso Gomes recordou que, em termos urbanos, a Covilhã vive desafios impostos até pela sua própria orografia, com um longo caminho a percorrer para “democratizar o espaço público”, um trabalho que necessita da colaboração “de todos”.

O presidente da autarquia, Hélio Fazendeiro, garantiu que, tal como fez em campanha, estas são duas áreas prioritárias do mandato. “A habitação foi um dos compromissos e mantém-se. É para intensificar o que está em andamento”, salienta, lembrando haver uma Estratégia Local de Habitação bem definida. Na regeneração urbana, o autarca disse que desde que tomou posse se reforçou a limpeza urbana, e que se pretende “recuperar o espaço público para o devolver à comunidade”, apontando o exemplo de Pontevedra e Vigo, que alguns autarcas visitaram recentemente. “Tal como lá, é um processo longo. Não fomos lá copiar nada, mas inspirar para apontar qual o objetivo que queremos para este mandato”, garantiu.

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