O bom filho à casa torna. Pode ser este o ditado a aplicar ao regresso do Ciclo de Teatro Universitário da Beira Interior, promovido pelo Grupo de Teatro Universitário da UBI (TeatrUBI), em parceria com a ASTA- Associação de Teatro e Outras Artes, à Covilhã, entre os dias 11 e 14 de março. O palco será aquele onde se iniciou a história do festival, que vai na sua 30ª edição: o Teatro Municipal da Covilhã (TMC), outrora Teatro-Cine.
“Regressamos onde tudo começou, mas na altura sem as condições e o conforto que tem agora” salienta Rui Pires, diretor do festival universitário mais antigo do País, que recorda tempos em que no atual TMC, “chovia, caiam bocados de parede e tínhamos que trazer os aquecedores de casa”. A última vez que o Ciclo pisou este palco foi em 2018, tendo depois passado a ser realizado na UBI, face às obras do edifício, e no ano passado saiu mesmo da Covilhã (onde apenas houve um espetáculo no Oriental), sendo realizado em Gouveia e Guarda. Este ano, o TeatrUBI, que também comemora 37 anos de vida, dá à Covilhã um Ciclo de Teatro “mais reduzido”, de apenas quatro dias, por limitações orçamentais e temporais, explica Rui Pires.
Com a intenção de “criar públicos formados e informados”, o evento volta à Cidade Neve após um ano fora, o que Rui Pires admite pode afastar público. “Na UBI tínhamos sempre gente. Espero que os alunos venham, até porque os espetáculos, para eles, são gratuitos. Vai ser uma surpresa ver como é o regresso” afirma Rui Pires, que lamenta que o TeatrUBI, após 37 anos de atividade, não tenha um espaço próprio para ensaiar. “Vivemos de boas vontades. É incompreensível” salienta o responsável, que também defende que este grupo pode proporcionar uma experiência teatral a estudantes que os possa levar a optar por esse caminho profissional. Por isso, “a UBI devia abrir uma licenciatura em teatro, algo que defendo há vários anos”.
A ASTA é parceira. Desde 2006. “Se não fosse, já não havia festival e, se calhar, grupo universitário”, salienta Rui Pires, lembrando que a Associação dispõe de verbas que são fundamentais à realização de uma atividade que custa, entre espetáculos, alimentação, alojamento e divulgação, cerca de 18 mil euros. Sérgio Novo, diretor artístico da ASTA, salienta que a relação é benéfica para ambas as partes, diz ser “gratificante” poder participar no percurso do TeatrUBI, e que regressar ao principal palco da cidade “é bom, justo, meritório e digno”.
A Câmara da Covilhã, principal apoio do Ciclo de Teatro, com a cedência do palco, da logística e apoio monetário, afirma que o mesmo “deve ter um lugar, porque o conquistou ao longo dos anos”, segundo a vereadora com a pasta da cultura, Regina Gouveia. A autarca vinca como “fundamental” a relação da Câmara com a academia, mas também desta como a comunidade em geral, pois o festival traz sempre “inovação e diferença”, traz jovens à cidade e contribui para uma oferta cultural “mais completa”. A vereadora realça as experiências na área teatral e numa formação “mais integral” que o TeatrUBI proporciona aos estudantes, ocupando um “lugar inquestionável e único” na cultura da Covilhã.
O Ciclo de Teatro abre dia 11, às 21:30, com “Desengano”, um cocriação entre TeatrUBI e ASTA, que faz a sua estreia. No dia seguinte, à mesma hora, as duas companhias apresentam “Ficções do Interlúdio”, já apresentado no ano passado no Oriental de São Martinho. “No ano passado, os alunos ficaram com pena de não o trazer aqui, pelo que optámos por repetir”, justifica Rui Pires. No terceiro dia, a 13, uma presença assídua no Ciclo (a 29ª vez), com os Maricastaña- Aula de Teatro do Campus de Ourense (Espanha) a apresentarem “Insurrección”. E no último dia, 14 de março, a vez da Aula de Teatro da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha) apresentar “Irmás”, uma peça protagonizada em galego.
Os estudantes têm entrada livre, tal como os portadores do cartão amigo da ASTA, maiores de 65 anos e profissionais das artes. Para público em geral o preço do ingresso é de três euros.
