A Estrada Nacional 232, que estava fechada ao trânsito entre o cruzamento para o Covão da Ponte e o Ribas, em Manteigas, desde 22 de fevereiro, devido a um desabamento de terras, acabou esta tarde por ruir. Quem o adiantou foi o presidente da autarquia, Flávio Massano, que na última sexta-feira, 27, na assembleia municipal, já tinha avisado que a situação no local ainda era muito instável.
“Se virem bem, com olhos de ver, conseguem perceber que o Homem é muito pequenino quando comparado com a força da natureza. Fisicamente, como é óbvio. Mas, muitas das vezes, também na sua essência. Como ser, como pessoa, como homem. A EN 232 acabou por ruir hoje, depois de preventivamente já termos decidido, em conjunto com as entidades responsáveis, pelo encerramento da mesma. Pessoas e bens foram salvaguardados, mas a grandeza da situação exige uma resposta firme de um conjunto alargado de agentes e entidades” salientou o autarca na sua página pessoal, onde disse que este deslizamento massivo de vertentes “não tem paralelo nem neste, nem nos últimos dois séculos deste território, nem se compadece com opiniões redutoras e sem qualquer conhecimento de causa.” O autarca apela ao bom senso das pessoas no local, e à adoção de medidas de auto-proteção, porque “o deslizamento ainda não cessou”.
Recorde-se que o troço tinha sido fechado, de forma preventiva, pela IP (Infraestruturas de Portugal), por tempo indeterminado, depois de uma derrocada de grandes dimensões, na mata da Carvalheira, ter levado ao deslizamento significativo de solos, blocos rochosos e árvores de grande porte, com a própria estrada a sofrer as consequências.Na última sexta-feira, 27, durante a assembleia municipal, o presidente da Câmara, Flávio Massano, assegurava que o asfalto “cedeu mesmo”, e que numa primeira fase a IP selou fissuras, uma intervenção que, porém, era insuficiente uma vez que existiam muros fragilizados e terras em risco de ceder. Foi “um bocadinho de fita-cola”, exemplificava o autarca.
Em comunicado, a Câmara de Manteigas avisa que a vertente “mantém-se instável, verificando-se a existência de múltiplas linhas de água subterrâneas impossíveis de canalizar, o que não permite garantir que não venha a ocorrer novos deslizamentos”, pelo que atendendo à complexidade da situação não é possível, para já, “prever um prazo para a reparação definitiva desta via.” A autarquia disse que, como medida preventiva, realizou o abate controlado de árvores para reduzir a carga sobre os taludes e mitigar possíveis riscos para a Estrada Florestal de São Sebastião, que se mantém como a via alternativa, “aberta à circulação, embora interdita a veículos pesados.” A Câmara recomenda a todos os condutores que circulem com velocidade moderada e redobrada atenção.
No decurso desta situação, um ramo de uma árvore caiu sobre uma linha de média tensão, e embora não tenha provocado corte imediato de energia, “tal pode ocorrer a curto prazo, uma vez que foram afetados três Postos de Transformação. Nesse sentido foi contactada a E-Redes, que já se encontra no terreno a proceder à respetiva intervenção”, frisa a autarquia, que avisa a população da hipótese de nas próximas horas faltar a luz “por um período que poderá atingir, no máximo, cerca de 2 horas.”
