Linha da Beira Baixa sem Intercidades tem “grave consequências” para a região

Moção do presidente da Câmara da Covilhã aprovada por unanimidade

A interrupção prolongada da Linha da Beira Baixa, provocada pelas intempéries do mês passado, e a suspensão do serviço Intercidades tem “graves consequências para a mobilidade das populações da região. “É uma situação que afeta diretamente milhares de cidadãos que dependem do transporte ferroviário para trabalhar, estudar ou aceder a serviços essenciais”. É isto que se pode ler na moção apresentada na passada sexta-feira, 6, na reunião privada do executivo covilhanense pelo presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, e que foi aprovada por unanimidade.

No documento, a Câmara da Covilhã  exige ao Governo a “rápida reparação” e a reabertura integral da Linha da Beira Baixa, que se encontra parcialmente cortada, o que na que na prática, segundo o autarca, deixa o território sem ligação ferroviária até Lisboa e sem uma das vias fundamentais para as exportações nacionais.

Segundo a moção, “além da ligação à capital “as ligações dentro da região também foram drasticamente reduzidas”, sendo que no caso concreto do troço entre Covilhã e Guarda se passou de cerca de 10 comboios diários para apenas quatro, “o que compromete seriamente a possibilidade de deslocações diárias para consultas médicas, trabalho ou ensino dentro das necessidades horárias que esses compromissos implicam”. “Esta realidade agrava ainda mais as dificuldades de mobilidade numa região já marcada por carências históricas em transportes públicos e por profundas assimetrias territoriais” sublinha a autarquia.

O municípiop manifesta ainda a sua preocupação pelo facto da Linha da Beira Baixa ter ficado excluída dos investimentos previstos no Plano Ferroviário Nacional. Outro dos aspetos destacados prende-se com o facto de esta Linha ser utilizada para circulação de comboios de mercadorias; “determinantes e fundamentais para alavancar os serviços de exportação de produtos no território nacional, que assim não serão realizados”.

Assim, a moção exige a intervenção governamental quer para a reparação e reabertura da Linha, com a reposição imediata de uma oferta ferroviária adequada, incluindo serviços Intercidades ou equivalentes, que assegurem ligações eficazes entre Guarda, Covilhã, Fundão, Castelo Branco e Lisboa. E defende a necessidade de criar um plano alternativo de mobilidade através da Linha da Beira Alta e a inclusão da Linha da Beira Baixa nos investimentos estratégicos nacionais, designadamente no âmbito do Plano Ferroviário Nacional, assegurando a sua modernização e valorização futura.

Por outro lado, solicita medidas mitigadoras imediatas enquanto persistir a interrupção, nomeadamente reforço de serviços ferroviários e soluções alternativas que garantam a mobilidade das populações.

O documento será remetido ao Governo da República, ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, à Infraestruturas de Portugal, à CP – Comboios de Portugal, bem como às autarquias e entidades da região da Beira Interior.

Recorde-se que ao NC, a Infraestruturas de Portugal (IP) adiantou na passada semana que o troço da Linha que necessita de ser reparado, um talude de aterro onde ocorreu um deslizamento de terras entre Mouriscas A e Vila Velha de Ródão, terá obras até final do mês, num prazo previsto de conclusão de seis meses, o que faz com que apenas em setembro a Linha volte a estar a funcionar na totalidade.

 

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