Que futuro para a Estrada Nacional 232?

Nenhuma das três opções em cima da mesa é de fácil execução

Assinalam-se amanhã dez dias desde o desmoronamento da Estrada Nacional 232, entre Manteigas e as Penhas Douradas, e estudam-se quais as opções para voltar a ter estrada naquele local.

Esta semana, o município juntou à mesa, em reunião, diversas entidades, como a IP (Infraestruturas de Portugal), ICNF (Instituto da Conservação, Natureza e Florestas), conselhos diretivos de baldios e juntas de freguesia, de modo a debater o futuro daquela via e a melhoria das alternativas provisórias. “Pudemos perceber quais os próximos passos e estabelecer contacto com todas as entidades que podem vir a fazer parte da solução”, salienta o presidente do município, Flávio Massano, que afirma que das várias opções que estão em cima da mesa, “nenhuma delas é de fácil execução. Veremos qual delas servirá melhor os interesses do nosso território.”

Segundo a autarquia, em comunicado, há várias soluções “todas com alguma complexidade” e a IP ficou encarregue de “apresentar, com a brevidade possível, um plano de viabilidade e de ação para o futuro.” As hipóteses são uma intervenção no mesmo local da derrocada, alterar o traçado para um patamar seguinte de altitude ou um novo traçado alternativo afastado do local. Soluções que, segundo o autarca, requerem muitos milhares de euros e que irão demorar, à partida, cerca de dois anos. “O caminho não será fácil, mas acredito que, tal como nos incêndios, nas enxurradas e no encerramento da EN 338, vamos, mais uma vez, superar as adversidades e restabelecer a normalidade”, salienta o autarca.

Durante a reunião, debateu-se também a melhoria da alternativa provisória, que liga a Cruz das Jugadas à Pousada de São Lourenço, “que terá necessariamente de ser intervencionada para garantir a segurança e o conforto para todos os utilizadores”, explica a Câmara em comunicado.

Recorde-se que neste momento, para ligar Manteigas aos concelhos de Gouveia e Seia, há duas possibilidades, e apenas para veículos ligeiros: a estrada de Campo Romão, em terra batida, que liga a Cruz das Jugadas à Casa de São Lourenço – Burel Panorama Hotel, permitindo acesso às Penhas Douradas e outras direções; e a estrada do Covão da Ponte, em betuminoso, que liga o covão à aldeia de Folgosinho, permitindo ligação a Gouveia e outras localidades.

No primeiro caso, o autarca local já recordou que se trata de uma via em terra batida, aconselhada sobretudo a jipes e SUV’s, que devem circular a baixa velocidade, e admite que não sendo municipal se está a trabalhar para ali criar “melhores condições” de circulação, estando em curso um estudo para a sua pavimentação. Já o trânsito de pesados tem que ser feito a contornar a Serra. Ou seja, para entrar ou sair de Manteigas, os pesados têm que usar a EN 232 entre a vila e Belmonte. Quer isto dizer que, por exemplo, um camião que vá de Manteigas em direção a Gouveia terá que fazer indo pela Guarda.

Recorde-se que a 3 de março a EN 232 ruiu, após um deslizamento de terras na encosta da Carvalheira. Inicialmente, a alternativa dada era a estrada florestal de São Sebastião (que fica acima do estádio municipal), mas com a instabilidade que ainda existe na encosta, e fecho total da 232, também esta alternativa foi encerrada ao trânsito, para salvaguarda das populações.

FOTOS: Gonçalo Poço

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