Manteigas não está sozinho e terá que esperar pela sua vez. Foi esta, em suma, a mensagem deixada esta segunda-feira, 16, pelo presidente da Câmara de Manteigas sobre o futuro da Estrada Nacional 232, entre Manteigas e as Penhas Douradas, fechada há cerca de três semanas devido a um aluimento de terras que desfez, por completo, a via num dos seus locais.
Na reunião pública do executivo, Flávio Massano lembrou que devido ao mau tempo dos meses de janeiro e fevereiro, cerca de 40 estradas nacionais foram fechadas totalmente ao trânsito. “Até nisso não tivemos sorte, porque há vários problemas no País. Estaremos a meio numa lista de prioridades, até porque em alguns concelhos, onde as estradas ruíram, e com dez vezes mais população, não existem alternativas” disse o autarca. “Temos que perceber que a manta é curta” disse Flávio Massano, em relação a verbas e meios para repor o estado de coisas.
O presidente da Câmara disse que Manteigas é, contudo, “a única” com uma equipa especializada que está a estudar as três ou quatro soluções possíveis para a estrada, que pode mesmo vir a ser um novo traçado. “Não sei qual vai ser a solução ideal”, disse, lembrando que será preciso pesar o custo, o tempo de execução e a segurança. “A que gostaria mais seria a reposição integral do traçado, mas é preciso avaliar, até porque a encosta continua a mexer” salienta o autarca serrano. Flávio Massano garante que a própria Infraestrutura de Portugal (IP) “ainda não sabe como vai ser” e que dificilmente haverá qualquer intervenção até 2027. “Se houver, ficaremos contentes”, garante, lembrando que a obra depende de estudos, projetos e contratação pública de empreitada, por parte das entidades responsáveis a nível nacional.
Quanto à alternativa, a estrada em terra batida do Campo de São Romão, que liga a Cruz das Jugadas à Pousada de São Lourenço (na foto), o autarca recorda que não é um caminho público, que está em pleno Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e que qualquer intervenção mais duradoura depende sempre de vários pareceres que já foram pedidos, como por exemplo ao ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e Florestas). Para já, limparam-se valetas, começaram-se a tapar buracos com tout-venant nas zonas mais deterioradas, com autorização de proprietários, mas o objetivo é asfaltar. “Queremos tornar num caminho definitivo, até face ao tempo que estaremos sem a nacional 232” disse o autarca, que apela a um equilíbrio entre a necessidade de ter uma via que sirva a população e a proteção da natureza, para que os pareceres técnicos para a obra possam ser positivos. O custo estimado, garante, é de cerca de meio milhão de euros, que terá que ser pago pelo município. “Era algo que não estava previsto, nem sequer está em plano e orçamento. Teremos que rever prioridades”, salienta Flávio Massano, que espera ter apoio governamental para a obra. “O Governo disse que os municípios afetados teriam ajuda. Vamos ver se conseguimos alguma componente financeira”, salienta, esperando executar as melhorias até ao início do próximo inverno.
Foto: Gonçalo Poço
