Move Beiras acusa CP de deixar fora do transbordo várias estações e apeadeiros

Associação afirma que passageiros da Linha da Beira Baixa, entre Covilhã e Guarda, são discriminados

A Associação Move Beiras enviou esta semana, ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, ao Ministério da Economia e da Coesão Territorial, aos presidentes da CP e IP e à presidência da República, uma missiva onde manifesta a sua “profunda indignação e repúdio” à forma como está a ser gerida a interrupção da circulação ferroviária na Linha da Beira Baixa.

Segundo a mês, “só agora”, ou seja, mais de um mês depois das tempestades terem interrompido a Linha é que surgiu uma solução que considera “minimalista de mobilidade”, através de um transbordo rodoviário com duração de, pelo menos, 6 meses. “Um atraso incompreensível que deixa claro, uma vez mais, o lugar a que a Beira Interior é frequentemente remetida nas prioridades nacionais. Quando nos pedem um minuto da nossa atenção, exigimos o mesmo em ação e noção”, salienta.

A Move Beiras lembra que o transbordo rodoviário entre a Guarda e Abrantes acrescenta cerca de 30 minutos à viagem, “penalizando e deixando de fora passageiros com mobilidade reduzida (ao não permitir cadeiras de rodas) ou que transportem bicicletas.” Tudo isto, quando “existiam alternativas ferroviárias mais racionais, como a utilização de uma automotora entre a Guarda e Vila Velha de Ródão para a cobrir as necessidades do serviço Intercidades, reduzindo o transbordo ao mínimo indispensável.” Uma opção que considera “um flagrante contrassenso ambiental” num momento em que se fala de sustentabilidade e da escalada dos preços dos combustíveis. Além disso, a associação recorda que a solução anunciada representa uma “inaceitável discriminação no troço Covilhã – Guarda, ignorando estações e apeadeiros que passaram a receber paragem dos comboios Intercidades e regionais em 2021.” Esse modelo, “justificado pelas características da Linha e com impacto mínimo no tempo de viagem (menos de 10 minutos), está consagrado no Plano Ferroviário Nacional, aprovado já por esta tutela”, lembra.

Segundo a Move Beiras, após um mês de silêncio, as populações da Beira Interior “descobrem agora que, afinal, existem passageiros de segunda e de terceira classe.” De segunda classe “porque tiveram de esperar este tempo por uma resposta para garantir a sua mobilidade”. E de terceira porque Caria, Belmonte – Manteigas, Maçainhas, Benespera e Barracão – Sabugal “foram excluídas do transbordo ao Intercidades.” Uma decisão que coloca “diretamente em causa a mobilidade das populações de cinco concelhos: Guarda, Sabugal, Belmonte, Manteigas e Penamacor, que continuam privadas de 6 das 10 ligações diárias que tinham até 11 de fevereiro e com horários e enlaces indecentes para deslocações desde e para Lisboa.”

Para a Move Beiras, num país onde se fala constantemente de coesão territorial “é incompreensível que se aceitem soluções que aprofundam ainda mais o isolamento do Interior.” Para a Move Beiras, esta situação é mais do que um problema de transporte. “É um problema de justiça territorial. Numa região onde a mobilidade continua longe de ser garantida, retirar ou degradar o serviço ferroviário significa isolar pessoas, dificultar o acesso ao trabalho, à educação e aos serviços de saúde, e acelerar ainda mais o abandono do Interior.” A Move Beiras exige que seja corrigida esta situação, garantindo que ninguém da Beira Interior seja deixado para trás.

 

 

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