O material usado, há dois anos, na construção de um cravo gigante no Pelourinho (na altura, toldos de rafia usados na colheita da azeitona) começa, na próxima sexta-feira, 10, pelas 10 horas, a ser transformado em milhares de cravos que darão lugar a uma instalação imersiva criada pelo artista covilhanense Luís da Cruz, que já tinha sido o mentor do cravo gigante que assinalou os 50 anos do 25 de abril.


Serão “milhares de cravos usados, reciclados e reutilizados”, numa instalação diferente da anterior, que visa assinalar o Dia da Liberdade, e que será inaugurada no próximo dia 25, às 14 horas. É a renovação do “Sempre”, nome que tinha sido dado ao cravo gigante feito há dois anos, em parceria com a Câmara e com a ajuda de centenas de participantes, entre os quais formandos da Modatex, costureiras, crianças, idosos e até reclusos do estabelecimento prisional da Covilhã. Um “gesto coletivo de comunidade, de consciência e de futuro”, explica o artista multimédia, ceramista e curador, que convida a comunidade “a entrar, não apenas observar”.

Uma transformação do cravo gigante em milhares de cravos que “voltam a erguer-se como símbolo não só da liberdade, mas também de consciência”, salienta Luís da Cruz, que conta mais uma vez com o apoio da autarquia e utentes do Centro de Atividades. “Mais do que uma obra para ser vista, esta é uma instalação vivida. Um espaço imersivo, construído com a participação da comunidade, onde cada presença acrescenta camada, memória e intenção”, salienta o autor. Que frisa que num momento em que o impacto ambiental não pode ser ignorado, o “Sempre” renasce também como “um gesto coletivo entre arte, responsabilidade e futuro”.
