Simulacro em museu: primeiro as pessoas

Testada resposta em caso de incêndio, no Museu da Covilhã, esta manhã

Primeiro, as pessoas. Depois, os bens. Mesmo que tenham muito valor. É esta a ordem de prioridade caso haja um incêndio num espaço museológico, na Covilhã, segundo o comandante em suplência dos Bombeiros Voluntários da Covilhã, Óscar Pinto, que foi um dos oito soldados da paz da corporação que participou, esta manhã de terça-feira, 21, num simulacro de incêndio no Museu da Covilhã, uma iniciativa da Proteção Civil municipal integrada nas comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.

No final da operação, que durou 13 minutos, e quando as pessoas que passavam pela rua António Augusto de Aguiar já percebiam que o aparato não era devido a uma situação real, Óscar Pinto reconheceu que, quando se trata de edifícios antigos, com valor cultural “diferenciado” e com obras de arte, que se danificam não só com o fogo, mas também com a água para o apagar, é preciso ter “uma atenção maior na atuação, um maior cuidado”, mas a prioridade é inalterável: “A nossa missão continua a ser a mesma e o foco continua a ser o mesmo: pessoas e bens, e por essa ordem”, garante, elogiando o trabalho realizado pelos Soldados da Paz, que seguiram todos os procedimentos. Óscar Pinto assegura que se tentou “improvisar ao máximo”, de modo a que o exercício fosse o “mais real possível”, garantindo que os bombeiros sabiam que havia um simulacro, mas não sabiam o que iriam encontrar.

O objetivo da ação foi avaliar a capacidade de resposta a uma situação de emergência, assegurando a evacuação de pessoas e a proteção do património. Luís Marques, vereador com o pelouro da Proteção Civil na Câmara, reconhece que no caso de museus, além de tudo o que é um salvamento normal, a retirada de pessoas do edifício e combate às chamas, existe a “preocupação da preservação do elevado valor museológico que existe aqui.” O responsável faz um balanço positivo do exercício, que permitiu testar os procedimentos que estão previstas no Plano de Autoproteção elaborado pela Serviço Municipal de Proteção Civil, e identificar aspetos a melhorar, como a sinalética e iluminação em cenários com fumo. “A evacuação foi feita num tempo considerado o adequado”, garante Luís Marques, que reconhece que existem sempre “pequenos aspetos a corrigir” e a melhorar. “Algumas sinaléticas que precisamos melhorar, alguma iluminação que não está adequada e que permita a evacuação em zonas com muito fumo”, frisa.

Quem estava dentro do museu, de onde saíram logo rapidamente 17 pessoas, era Sandra Ferreira, coordenadora do mesmo, que também ela saiu com um quadro debaixo do braço que, garante, não foi ela a retirar, mas sim os bombeiros. “O quadro foi-me entregue pelos bombeiros no hall de entrada. Não fui eu que o retirei. As obras estão devidamente sinalizadas e determinado para onde são levadas”, garante. A responsável afirma que o exercício mostrou capacidade de resposta para retirar funcionários e visitantes do espaço museológico, e que foi muito rápido. “Deu para perceber que estamos em condições de, numa situação dessas, conseguirmos salvar as pessoas que se encontraram no museu e também as obras de arte que nós identificámos como prioritárias. Foi tudo muito rápido. Logo após percebermos que não tínhamos condições para controlar este incêndio, ligámos o 112, ativámos os meios, e em três minutos tínhamos os bombeiros a contactar. Conseguimos colocar as 17 pessoas prontamente fora do edifício e demorou mais um bocadinho a socorrer uma pessoa que estava em cadeira de rodas. Só depois retirámos as obras de arte”, explicou, admitindo que o fumo intenso criou dificuldades de visibilidade.

Nesta operação, ainda que a fingir, estiveram envolvidos 17 operacionais, oito dos bombeiros, cinco da PSP da Covilhã e quatro do Serviço Municipal de Proteção Civil.

 

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