Chumbo de moção sobre os transportes motiva troca de acusações

Marco Gabriel acusou presidentes de junta de votarem ao lado do PS e não a favor da população

O chumbo, com 25 votos contra, e 19 a favor, de uma moção, sobre os transportes urbanos, na Covilhã, apresentada pela bancada do PCP na assembleia municipal, levou a uma troca de acusações, entre eleitos, com alguns a apontarem o dedo a outros por votarem o documento ao lado dos seus partidos, e não, ao lado das populações.

O PCP apresentou, de novo, uma moção que reivindica a gratuitidade de passes. Vítor Reis Silva diz que atualmente existe uma enorme discriminação entre quem, por exemplo, usa transportes públicos em zonas urbanas, e quem o faz nas zonas rurais. Que tem menos oferta e a preços mais elevados.  “Vamos continuar, porque queremos acabar com esta discriminação gritante entre quem vive nas freguesias rurais e urbanas. Nas rurais há quem pague 120 euros por mês. É preciso acabar com isso. Há soluções para acabar com esta discriminação. Não há é vontade política” salienta.

A proposta acabou por ser chumbada, com 19 votos a favor, e 25 contra, a maioria dos eleitos do PS e alguns presidentes de junta, o que motivou que Marco Gabriel, presidente da freguesia da Boidobra, lhes apontasse o dedo. “Represento uma freguesia que nem tem uma rede de transportes com a discriminação que aqui foi colocada. Por isso, cara a cara, olhos nos olhos, digo aos meus caros colegas, presidentes de juntas de freguesias, nomeadamente das rurais, que é incompreensível que vocês, numa coisa muito concreta de defesa das vossas populações, votem só porque o PS levantou a mão. Votem contra a vossa população”, acusou.

Na resposta, uma das autarcas, a presidente da Junta da Erada, justificou a votação por, pela primeira vez, a Câmara ter ouvido a freguesia para implementar na anexa de Trigais o transporte a pedido. “O 25 de abril dá-os liberdade de votar a favor ou contra. A Erada tem uma anexa que há mais de oito anos não tem transportes público, e pela primeira vez, fomos auscultados pela Câmara para ter transporte a pedido. Pelo que está mais que justificado”, disse Sara Fonseca.

A bancada do PS também justificou o voto desfavorável por lembrar que foi o partido que implementou algumas medidas no setor, como o passe escolar, ou o alargamento da comparticipação camarária para 75%. “Sempre estaremos de acordo em discutir transportes. Mas a total gratuitidade terá impacto para o município. Temos de ter consciência das limitações orçamentais. Os 30 euros de passe são um objetivo do PS”, garantiu Miguel Bernardo, no que diz respeito aos transportes intermunicipais.

José Páscoa, eleito do MIPP, que votou a favor da moção, afirmou que se assistiu na reunião do órgão, “mais uma vez, à conjugação estratégica de algumas forças partidárias a votarem contra as pessoas. Todos se queixam do centralismo de Lisboa, mas não temos ações depois quando há o centralismo do município da Covilhã”, acusou.

Nuno Ezequiel, do PSD, justificou o voto favorável porque, garante, o seu partido é “a favor de uma revisão. Defendemos equidade de todos os covilhanenses. A gestão dos transportes deve ser pensada a médio prazo”.

Quanto ao CDS/PP, pela voz de João Bernardo, explicou que o aval favorável à moção foi porque esta era uma “oportunidade” da autarquia trabalhar no assunto. “Voltamos ao mesmo. O PS devia envergonhar-se por nem sequer ler o que é. O CDS votou favoravelmente porque tem de se estar de acordo. Quem votou contra, é porque não leu. É um desafio do PCP que insta a Câmara a trabalhar por algo melhor nos transportes”, afirma.

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