O Sertanense é campeão distrital. E mesmo que não haja uma homologação oficial, para já, em termos morais e pontuais, nada há a opor a isso. É esta a convicção dos responsáveis do clube, depois de, no passado domingo, em Belmonte, terem fechado o campeonato com uma goleada por 0-5, fazendo de novo uma festa que já tinham feito na semana anterior, em casa, perante o Sporting da Covilhã B.
Apesar da tabela mostrar uma vantagem de quatro ponto sobre o segundo, Alcains, decorre ainda no Conselho de Disciplina da Associação de Futebol de Castelo Branco (AFCB) um processo relacionado com a antepenúltima jornada, em que, na Sertã, a equipa da casa vencia o Alcains por 2-1, mas o jogo não chegou ao fim por alegados insultos racistas contra Pelezinho, jogador alcainense. Situação que levou os “canarinhos” a abandonarem o campo. Mas Gonçalo Cruz, treinador dos sertaginenses, não tem dúvidas de que a sua equipa é campeã. “Podem pôr mais um mês, dois meses, três semanas. A subida de divisão foi consumada quando o Iago marcou o 2-1 ao Alcains. Esse sentimento, infelizmente, só durou cinco minutos, mas com a deliberação da AFCB sobre esse jogo, sem nada para o Sertanense, só tínhamos que ganhar ao Covilhã B. Ganhámos e festejámos aí. Dois mais dois continuam a ser quatro”, afirma.
Em Belmonte, o técnico conseguiu a 13ª vitória consecutiva e, frente ao último, aproveitou para rodar jogadores e tornar alguns deles campeões. “Hoje fizemos o nosso. Foi a nossa 13º vitória consecutiva e por isso fomos campeões”, afirma, lembrando que ainda há um troféu para jogar, a Taça de Honra, onde o Sertanense, no sábado, se desloca a Pedrógão, nas meias finais, de modo a tentar estar na final. “Frente a uma equipa que aposta tudo na Taça. Mesmo tudo”, lembra Gonçalo Cruz.

O treinador, que na época passada assumiu a equipa a meio da temporada, mas não a conseguiu manter no Campeonato de Portugal (CP), desconhece se fica no clube. “Não faço a mínima ideia. Não há ainda informação do que o clube quer fazer. Não tenho informações de nada. Para dançar o tango, é preciso haver dois. Mas havemos de falar”, acredita. Caso fique, reconhece que para o CP será necessário fazer reajustes no plantel. “A equipa precisa, mas o Sertanense não nada em dinheiro. Os jogadores quererão o melhor para si, para a as suas vidas. Mas para competir nesse escalão e ser diferente do que foi o ano passado, tem que fazer de forma diferente, apetrechar a equipa, mas não fugindo muito ao que tem sido: jogadores jovens que se queiram mostrar. Foi assim que fizemos este ano. Os miúdos quiseram muito levar isto para a frente. Tivemos muita sorte nos jogadores que contratámos”, reconhece o técnico de 38 anos.

Vítor Tomaz, 56 anos, presidente da direção, lembra que o começo do campeonato não foi bom, mas a segunda volta sim. “Ganhámos os jogos todos. Agora no fim é que se pode dizer que foi uma passagem pelo distrital. O nosso foco era o campeonato. Neste momento temos hipótese de disputar mais um título e vamos fazer tudo para chegar à final da Taça de Honra”, garante.
Quanto ao futuro, nada está definido. “A partir de hoje vamos sentar a direção, conversar e decidir o que for preciso. O mandato acaba em junho e temos que ter alguma cautela no que vamos fazer. Pode haver uma outra lista ou não”, afirma, garantindo que é uma certeza de que não avança para novo mandato. “Não tenho intenção de me recandidatar. É uma decisão fechada. Não vou ficar como presidente. Admito iniciar a preparação da época. Temos eleições dia 23 (sábado), mas vamos começar a trabalhar, que depois pode começar a ficar tarde”, afirma.

O Sertanense termina o campeonato com 54 pontos em 21 jogos (menos um que todas as outras equipas, menos o Alcains), fruto de 17 vitórias, três empates e uma derrota. Teve o melhor ataque, com 61 golos, e a segunda melhor defesa, com 15 golos sofridos, mais um que o Alcains.
