O presidente da Comunidade Intermunicipal da Região das Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE), Carlos Condesso, pediu na passada sexta-feira, 15, “mais meios e apoios” de modo a que “não se repita o que se passou no ano passado” no que diz respeito aos incêndios florestais. Um apelo feito em Figueira de Castelo Rodrigo, onde é autarca, e onde foi apresentado o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para este ano.
O mesmo contempla, para a fase mais crítica (Fase Delta, entre 1 de julho e 30 de setembro), 163 equipas em prontidão, 811 operacionais, dos quais 533 serão bombeiros voluntários, apoiados por 176 veículos, quatro helicópteros ligeiros de ataque inicial posicionados em Aguiar da Beira, Guarda, Mêda e Covilhã, e cinco máquinas de rasto. A região das Beiras e Serra da Estrela vai contar ainda com um helicóptero bombardeiro ligeiro, estacionado em Seia, para reforçar a vigilância e a capacidade de intervenção rápida “num território particularmente sensível ao risco de incêndio” [o Parque Natural da Serra da Estrela].
Carlos Condesso destacou a importância da cooperação intermunicipal na preparação da época de incêndios rurais e sublinhou “a contínua necessidade de reforço da capacidade de prevenção, vigilância e resposta operacional em todo o território da Região Beiras e Serra da Estrela”. O autarca apelou ainda aos particulares para “fazerem a sua parte”, que é a de limpar os seus terrenos.

Até final do mês, decorre a Fase Bravo que conta com 519 ele elementos, distribuídos por 127 equipas e 128 veículos. Em junho, na Fase Charlie, esse número aumentará para 664 operacionais, 132 equipas e 140 viaturas, o mesmo empenhamento operacional que vai vigorar de 01 a 15 de outubro. Pelo meio, a Fase Delta, com reforço de operacionais e meios. Um “dispositivo robusto”, salienta o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela, João Rodrigues, que, contudo, lembra que a eficácia do mesmo “depende da capacidade de antecipação e reação dos meios”.
A partir de 01 de julho, serão também mobilizadas 42 equipas de sapadores florestais e de gestão de fogos rurais do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e quatro equipas helitransportadas e terrestes da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR e uma brigada da Força Especial de Proteção Civil da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), estacionada em Trancoso.
“O dispositivo tem vindo a ser melhorado e flexibilizado ano após ano, mas tudo está dependente da rapidez do seu acionamento e das condições meteorológicas”, realçou João Rodrigues. Segundo o comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela, “os incêndios colocam-nos grandes desafios, por isso, o conhecimento da região é determinante”.
Entre 01 de janeiro e 30 de setembro de 2025, os incêndios consumiram 106.780 hectares na área da CIM Região Beiras e Serra, que integra 15 municípios dos distritos da Guarda e Castelo Branco.
Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, recordou que alguns dos concelhos das Beiras e Serra da Estrela integraram a lista dos vinte municípios com maior área ardida em 2025. E salientou a importância do “trabalho conjunto entre autarquias, proteção civil, forças de segurança, bombeiros e entidades da administração central e administração local na proteção das populações, do património e da floresta”. “A nível nacional, o DECIR 2026 conta com mais operacionais e mais meios do que no ano passado, mas estamos sempre muito condicionados por aquilo que também sejam as condições meteorológicas, que ainda não dominamos”, alertou.
