Estrada alcatroada há menos de um ano já necessita arranjos

Troço entre o Ginjal e a ponte de São Sebastião, começou, há menos de um ano, a ser alcatroado até Belmonte. Mas há zonas já com deficiências. Autarca admite que há erros, mas que garantia de cinco anos salvaguarda reparação dos mesmos

“A obra não está fechada. É pena que tenha que ser reparada antes sequer de estar concluída. Mas os cinco anos das garantias da obra têm que estar salvaguardados”. Foi assim que, na passada sexta-feira, 22, na reunião do executivo belmontense, o presidente da Câmara, António Luís Beites, respondeu ao vereador do PSD, Humberto Barroso, sobre a obra de requalificação da estrada nacional 18, entre o Ginjal e a ponte de São Sebastião, em Caria, iniciada no final do mandato de António Dias Rocha na liderança da Câmara, mas que, passado cerca de um ano, ou talvez ainda menos, já dá sinais de desgaste.

Humberto Barroso questionou o autarca se tinha sido feita “alguma démarche” para resolver as “várias depressões” e deficiências no troço, numa altura em que está a ser colocada sinalização horizontal, tal como na Rua dos Bombeiros. António Luís Beites lembrou que a obra não está concluída, mas admitiu que há locais “onde o alcatrão já deu” e que têm que ser reparados, aludindo às garantias que o empreiteiro terá que dar, de uma obra que, mal começou o mandato, o autarca mandou interromper e que, por isso, apenas chegou a Belmonte. António Luís Beites admitiu que também na estrada que atravessa Malpique há erros a corrigir pelo empreiteiro.

Recorde-se que assim que tomou posse como presidente da Câmara, em novembro de 2025, uma das primeiras medidas de Beites foi interromper as obras de requalificação da ligação da Nacional 18, o ramal entre o cruzamento da Estação e as Inguias, e o ramal de acesso ao Colmeal da Torre. O autarca assegurou que iriam ser executadas, mas “não no momento atual”, após um acordo com a empresa responsável para a paragem da empreitada. A obra enquadra-se no empréstimo feito pela autarquia, na ordem dos 930 mil euros, para reabilitar diversas vias rodoviárias no concelho.

António Luís Beites lembrou que não fazia sentido estar a colocar um tapete novo quando está prevista a passagem “de toneladas” de peso na via, devido à passagem de imensos camiões de grandes dimensões (transportes especiais), com torres eólicas, para um projeto de um parque eólico nos concelhos do Sabugal e Penamacor (estaleiro que receberá o material vindo pela A23 está instalado no cruzamento do Colmeal da Torre). “Irá ocorrer, mas não no momento atual do campeonato, quando vão passar por ali toneladas e toneladas. Não faz sentido” disse. O autarca afirmou que também estão a ser feitos alguns rasgos de operadoras de telecomunicações, para a passagem subterrânea de cabos, e que antes de se colocar alcatrão, também será necessário operar ao nível das condutas de água e saneamento. “É preciso refazer isso tudo. Na água temos conduta em amianto, de há mais de 50 anos, e o saneamento, simplesmente nem existe” garantiu.

Na sexta-feira, o autarca disse que se prevê que os camiões passem durante todo o verão pela via, onde já foi “rasgada” a chamada rotunda da vaca para facilitar a passagem de camiões de grandes dimensões, e afiançou que “garantidamente”, assim que essa travessia termine, a obra será retomada. “A empresa previa que as componentes eólicas já andassem a passar lá, mas não foi possível por vários fatores. Mas a previsão é que durante todo o verão possam passar todas as componentes. Já estão em Portugal, no norte do País. Que possa ser rápido, e depois tudo reparado em condições. Tendo em conta o peso do material, não fazia sentido colocar um tapete na estrada antes”, garante.

No anterior mandato, o executivo belmontense assegurava que as empresas que iriam usar as vias municipais, com estes camiões pesados, iriam pagar a requalificação da estrada, após um acordo estabelecido com as mesmas. Além de se comprometerem a indemnizar a Câmara pelos danos causados em vias que usassem, as empresas suportariam integralmente o arranjo do troço entre a A23 e a Grasil, orçado em cerca de 300 mil euros. O anterior executivo garantia também que após a passagem dos camiões as rotundas (da vaca e Europa, o chamado chupa-chupa) voltariam a ser repostas, mas pagas integralmente pelas empresas ligadas às energias renováveis. Mas António Luís Beites pôs em causa o estabelecido. “A compensação acertada foi de 44 mil euros. Não se repara esta via com essa verba” salientava o autarca.

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