Brigada quer espantar acácias da Serra da Estrela

Projeto comunitário tem primeira ação marcada para o próximo sábado

É um projeto comunitário que nasceu em Gonçalo e Valhelhas, concelho da Guarda, com o apoio da Comissão de Baldios de Valhelhas. E que tem a sua primeira ação de gestão florestal no próximo sábado, 30, a partir das 9 da manhã. A “Brigada Espanta Acácias”, lançada pela Ação Floresta Viva, quer responder à crescente proliferação de acácias na zona sudoeste da Serra da Estrela, promovendo soluções práticas e acessíveis para a gestão da espécie invasora e a prevenção de incêndios.

Assi, numa iniciativa inserida na Semana Sobre Espécies Invasoras promovida pela Sociedade Portuguesa de Ecologia, a manhã começará com uma breve apresentação do projeto, seguida de uma oficina prática de descasque de acácias – um método com sucesso comprovado na erradicação da espécie. A ação termina com um almoço partilhado, para o qual a associação convida todos os participantes a trazer algo para partilhar.

“Após o grande incêndio de 2022, que destruiu cerca de 25% do Parque Natural da Serra da Estrela, muitas áreas ficaram desprovidas de vegetação autóctone. Neste contexto, a acácia — uma espécie de crescimento rápido e altamente invasora— tem vindo a ocupar o território de forma descontrolada, estimando-se que nas freguesias de Gonçalo e Valhelhas tenha já havido um crescimento de 20% das áreas invadidas, agravando assim o risco de incêndio um problema que afeta a região de forma cada vez mais”, explica a organização.  Através da “Brigada Espanta-Acácia”, a associação pretende sensibilizar e capacitar a população local com conhecimento técnico sobre o controlo desta espécie invasora. A atividade central do projeto consiste na gestão de uma faixa de dois hectares, compreendida nos terrenos geridos pela Comissão de Baldios de Valhelhas, num local identificado como prioritário no combate aos incêndios florestais. A área a gerir encontra-se atualmente dominada por acácias (Acacia spp.), nomeadamente a acácia-mimosa (Acacia dealbata).

Ao longo do próximo ano, uma equipa técnica irá desenvolver intervenções florestais com o objetivo de controlar a proliferação da flora invasora e apoiar a regeneração autóctone, nomeadamente através da gestão de combustível, corte e descasque de acácias adultas, arranque de indivíduos juvenis, identificação de floresta nativa a proteger, entre outros métodos. Em paralelo, a comunidade será chamada a co-participar na gestão desta área através de atividades abertas e acompanhadas de apoio técnico pela equipa da associação. Também serão feitas duas sessões participativas nas freguesias adjacentes (Gonçalo e Valhelhas), onde participarão entidades envolvidas na conservação das florestas que irão partilhar as suas metodologias e conhecimentos com a população.

“A Brigada Espanta-Acácia pretende ativar a comunidade para agir e compreender o risco da proliferação de flora invasora e o seu efeito na ameaça crescente dos incêndios florestais. Queremos partilhar e aprender métodos de gestão florestal capazes de aumentar a segurança das populações locais.”, afirma Leonor de Carvalho, coordenadora do projeto.

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