Greve geral: sindicatos falam em adesão superior a 70% no distrito

Sérgio Santos, coordenador da União de Sindicatos, garante que há gente com medo de fazer greve receando represálias

Pouco antes das quatro da tarde, a adesão à greve geral de hoje, quarta-feira, 3 de junho, no distrito de Castelo Branco, era na ordem de mais de 70%, um número superior à última, que decorreu em dezembro do ano passado. O número foi adiantado pelo coordenador da União de Sindicatos de Castelo Branco (USCB), afeto à CGTP.IN, Sérgio Santos, na Covilhã, onde um grupo se manifestou em frente aos Paços do Concelho.

“Ainda faltam alguns locais de trabalho, como o hospital, por causa da troca de turnos, mas em termos gerais deveremos ultrapassar os 70%. Há locais, como as Minas da Panasqueira, em que a adesão foi de 82%, e nos têxteis, no Grupo Paulo de Oliveira, estaremos nos 60%. É uma grande greve geral” disse Sérgio Santos, que contou que no distrito a maioria das escolas esteve fechada e que, por exemplo, na Covilhã, não houve autocarros do serviço de transportes urbanos.

Sérgio Santos rebateu as declarações da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, que disse esta manhã que a “esmagadora maioria” dos trabalhadores estava a cumprir a suas funções e que no setor privado, a adesão era residual. Segundo a governante, muitos propuseram trabalhar em teletrabalho, e que no privado, de acordo com dados das confederações empresariais, a adesão era “absolutamente residual e em algumas áreas nula. Todas as fábricas estão a trabalhar nas áreas principais de produção em Portugal”, garantia a responsável, admitindo que no setor público a adesão à greve estava a ser mais expressiva que na greve geral de 11 de dezembro. Sérgio Santos garante que os números que tem “são reais” e que em muitas empresas havia secções com apenas dois ou três trabalhadores “de outras nacionalidades, que não fizeram greve ou por medo, ou por desconhecimento”.

Segundo o coordenador da USCB, o medo é mesmo um grande inimigo da paralisação. “As pessoas, às vezes, não aderem por medo de represálias, porque surgem numa foto, ou numa filmagem qualquer. Mas o governo tem que abrir os olhos e retirar ilações”, disse Sérgio Santos, que admite que tenha havido gente a não trabalhar, e a aproveitar o dia junto a um feriado para “sair” e “desanuviar”.

 

 

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