Os cerca de 60 bombeiros voluntários da Covilhã subscritores de um manifesto público contra o trabalho da atual direção vão deixar de realizar trabalho voluntário noturno e ao fim-de-semana. A intenção é manifestada num comunicado à população, onde garantem manter “integralmente assegurados todos os serviços de natureza obrigatória.” O início desta medida “será oportunamente anunciado à população”, adiantam.
Em comunicado enviado ao NC, os signatários voltam a classificar a situação vivida atualmente na associação, existente há 151 anos, de uma “grave crise institucional” e exigem a demissão do presidente da direção, Joaquim Matias, bem como se opõem à tomada de posse do novo comandante designado, Armando Maria, num processo cuja decisão “foi tomada antes de concluída a auscultação às chefias e cujos resultados nunca foram revelados”, acusam. Os cerca de 60 bombeiros garantem que se vive no seio da instituição “um clima de profunda divisão e de degradação das relações no interior do quartel, que tem corroído a coesão do corpo de Bombeiros e, com ela, as próprias condições em que o socorro à população é assegurado.” Asseguram que tomam a medida de suspender voluntariado à noite e ao fim-de-semana devido ao “silêncio dos órgãos sociais às sucessivas tentativas de diálogo”.
Os signatários recordam que há um aspeto que se entende merecer particular atenção pública. “O socorro noturno e de fim-de-semana neste concelho assenta, há vários anos, no voluntariado dos bombeiros, porquanto os mecanismos previstos no protocolo celebrado com o INEM, para cuja ativação o Comando alertou a direção por diversas vezes, não foram até hoje acionados. Cada um destes bombeiros dedica, em média, mais de 700 horas anuais de voluntariado, quando a lei estabelece um mínimo de 160. São precisamente aqueles que mais se dedicam à corporação que se veem hoje compelidos a este protesto”, asseguram.
Os signatários dizem que tomam esta decisão “difícil, mas necessária”, face à “total ausência de diálogo por parte da direção da Associação face aos graves problemas internos que temos denunciado, e que afetam a estabilidade do corpo ativo e a transparência da instituição. Esgotadas todas as tentativas de resolução consensual e institucional, esta é a única forma que encontrámos para defender a dignidade da nossa corporação e garantir que, no futuro, continuaremos a ter um corpo de bombeiros forte, unido e respeitado”, salientam.
