Criticada “operação de marketing” dos promotores do Projeto Sophia

Movimentos cívicos dizem que sessões de esclarecimento nas freguesias não trouxeram nada de novo

“Uma mera operação de marketing para veicular uma imagem positiva em torno de um projeto inviável, que a própria Comissão de Avaliação classifica como tendo impactos negativos significativos a muito significativos, em alguns casos permanentes e irreversíveis”. É assim que seis movimentos cívicos que são contra a instalação do Projeto Sophia, de energia solar, classificam as sessões de “desinformação” levadas a cabo pelo promotor do investimento, a Lightsource BP, nas freguesias abrangidas pelo projeto, nos concelhos do Fundão e Penamacor.

Segundo os movimentos (Cívico Gardunha Sul, Plataforma de Defesa do Tejo Internacional, Quercus, Cova da Beira Converge, Cidadãos pela Beira Baixa e Movimento Cívico em Defesa de Pedrogão S. Pedro e Bemposta), está-se perante um processo “pouco democrático com a divulgação tardia e a recolha de dados dos fregueses. A isso soma-se a limitação do número de participantes num espaço público, em algumas sessões, o máximo era de 15 pessoas. Para muitos habitantes, tratou-se de uma oportunidade insuficiente para garantir um debate aberto e representativo sobre um projeto com impacto muito significativo no território.”

Os contestatários dizem que a conclusão é simples, para quem esteve presente: “Nada de novo foi apresentado. Não houve respostas concretas às preocupações levantadas pelas populações, nem compromissos claros relativamente aos impactos ambientais, sociais e económicos do projeto.”

Os movimentos salientam ainda que a política da Lightsource “não é transparente, nem pretende ouvir as preocupações das populações. Tendo obrigado ao pré-registo, e tendo uma parte significativa da população que não fala português, não houve tradutores presentes, o que resultou em protestos e queixas por parte das populações.” E defendem que iniciativas desta natureza “deveriam ter ocorrido antes da primeira consulta pública, permitindo que os cidadãos participassem, de forma mais informada e consciente, num processo de decisão com consequências relevantes para o futuro do território.” Assim, “fica a percepção que estas sessões foram essencialmente uma medida de conformidade, visando o cumprimento das exigências regulamentares, sem um verdadeiro empenho do promotor em minimizar impactos.”

Os signatários do comunicado garantem que as comunidades locais “continuam sem saber que alterações vão ser feitas ao projeto e se o promotor vai ter em consideração as 12 570 participações na Consulta Pública e o parecer da Comissão de Avaliação.”

“A transição energética é um objetivo amplamente reconhecido e necessário. Contudo, essa transição só poderá ser bem-sucedida se assentar em princípios de verdadeira sustentabilidade, transparência, justiça territorial e social e no envolvimento efetivo das populações locais”, apontam os movimentos. Que consideram o projeto “inaceitável”.  “Este tipo de mega centrais deve ser colocado em áreas artificializadas e não em áreas rurais e áreas protegidas. Os beirões de berço e de coração continuarão a fazer ouvir a sua voz em defesa da sua terra e do seu futuro”, garantem.

 

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