Assembleia Municipal da Covilhã aprova contas consolidadas…com reservas

Oposição apontou reservas expressas pelo Revisor Oficial de Contas. Hélio Fazendeiro desvaloriza números negativos e garante que o único lucro que a autarquia quer é o de resolver problemas das pessoas

A Assembleia Municipal da Covilhã aprovou, por maioria (27 votos a favor, oito abstenções e sete votos contra), as contas consolidadas do Grupo Municipal de 2025 (envolve as empresas municipais), que revelaram um passivo superior a 50 milhões de euros, e um resultado líquido negativo de 3,4 milhões de euros. Um documento que teve reservas expressas pelo Revisor Oficial de Contas (ROC), sobretudo quanto ao litígio da autarquia com a Águas da Covilhã (ADC).

O PCP votou contra. Marco Gabriel apontou como justificação o resultado negativo do ano que passou, o passivo existente e o saldo transitado de 21 milhões de euros, perguntando se essa verba estará “cativa” para pagar os litígios com a ADC.

Também o Chega se mostrou desfavorável. Amadeu Alberto afirmou que o documento revela um agravamento da situação financeira, criticou o aumento de despesas com pessoal ou serviços externos, e disse que o relatório mostra opções políticas diferentes das que o seu partido defende. O eleito lembrou que uma boa gestão autárquica não se mede pelo que se gasta, mas sim pela capacidade em gerir o melhor possível os recursos públicos.

Já João Bernardo, do CDS-PP, justificou o voto contra por considerar que as contas revelam o “pior resultado consolidado da história recente”. O eleito apontou “incapacidade de execução” à atual maioria na Câmara, justificada com os mais de 20 milhões de euros que transitaram do ano anterior.

O Movimento Independente pelas Pessoas (MIPP) absteve-se por considerar que as contas não revelam nenhuma rutura financeira, mas deixou reparos às reservas do ROC e às “sérias dúvidas” levantadas pelo mesmo. Já o PSD pediu maior transparência no que diz respeito às contas das empresas municipais.

Quanto à bancada do PS, votou a favor, defendendo que o documento mostra um município ativo, com capacidade de resposta e com investimento.

Hélio Fazendeiro recusou o cenário negativo traçado pela oposição, disse que todos os executivos têm contas “boas e más”, e desvalorizou o saldo negativo do último ano, lembrando que as autarquias não servem para dar lucro financeiro, mas sim social. “O lucro, no nosso caso, mede-se no número de problemas resolvidos”, afirmou, defendendo que o aumento da despesa resulta do reforço dos apoios às freguesias, associações e população, bem como da subida dos custos com pessoal e serviços.

Quanto às reservas do ROC, o autarca espera, em 2026, que as mesmas não apareçam, e garantiu que, no conflito existente com a ADC, o município tem previstas verbas para acautelar eventuais responsabilidades financeiras, acreditando que o diferendo será resolvido.

 

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