Artistas e pastores criam projeto de palavra e música

O “Comer a Montanha” resulta de uma residência artística e é exibido na Nave de Santo António a 16 e 17 de julho

“Comer a montanha”. É este o nome de uma criação que uniu artistas, pastores e população da região em residência artística, que decorreu desde 26 de junho até agora, e que é mostrada ao público nos dias 16 e 17 de julho na Nave de Santo António, em plena Serra da Estrela.

Uma criação que resulta da convivência, ao longo de três semanas, entre artistas e pastores, num projeto que une palavra, música, e movimento, dirigido por Matilde Real.

A organização lembra que, num ano em que se assinala o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, a Serra da Estrela atravessa profundas transformações ambientais, sociais e culturais. “Depois dos grandes incêndios, perante o desaparecimento gradual da pastorícia e sob as novas pressões sobre o território, “Comer a Montanha” procura olhar para este lugar não apenas como um espaço de perda e abandono do território, mas onde poderão nascer outras formas de habitar, cuidar e imaginar o futuro” salienta.

Segundo a mesma, durante a residência, a equipa acompanhou os ritmos da montanha, partilhou tempo com pastores transumantes, aprendeu os seus gestos, escutou as suas histórias e construiu, a partir daí, textos, música, movimento e paisagens sonoras.

Participam no processo pastores da Serra da Estrela, habitantes da região e um rebanho de ovelhas. Conta-se com a participação de um coro amador da Covilhã e um pequeno grupo de crianças e adolescentes de Belmonte.

A direção artística é de Matilde Real, criadora que desenvolve projetos com comunidades em diferentes territórios— da Serra da Estrela à Azenha do Mar, da Cova da Moura ao Estabelecimento Prisional do Linhó — procurando construir uma linguagem própria para cada lugar através da palavra, da voz e da criação coletiva.

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