“Choca-me ver com está aquele espaço. Mas será um dos locais a intervencionar ainda este ano”. Foi esta a garantia deixada no final da última reunião pública do executivo covilhanense, na passada sexta-feira, 20, pelo presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, depois de, durante a reunião, o vereador da coligação Mais Covilhã (CDS-PP/IL), Eduardo Cavaco, ter criticado o executivo por nada fazer num local que está degradado.
Cavaco diz que o estado do Parque é um “retrato claro de abandono”, que o local é um dos com “maior potencial da cidade” mas que o que existe lá é “degradação, perigo e desleixo”. O vereador afirma que a situação acontece ao longo dos últimos 12 anos e meio, alude ao estado das casas de banho, “sem condições”, estruturas de madeira “podres”, muros “a cair e grafites por todo o lado.” Para Eduardo Cavaco a situação não se deve à falta de visão, mas à ausência de ação. “Limitar a intervenção a uma manutenção parcial da relva não é gestão, é apenas fingir que se faz alguma coisa”, aponta.
O vereador perguntou a Hélio Fazendeiro sobre prazos e calendário de requalificação, lembrando a proposta eleitoral da coligação que liderava, em que se propunha transformar o parque na “cidade das artes”, com um novo edifício para a Faculdade de Artes e Letras, platô de cinema, residências estudantis numa parceria com a UBI. Cavaco defende que mesmo sem grandes obras “muito poderia ser feito já”, como por exemplo a remoção de madeiras degradadas, a pintura de paredes ou a criação de murais artísticos, em colaboração com o Wool. “O que não podemos aceitar é que um espaço com este potencial continue a degradar-se, perante a passividade do executivo”, aponta.
Hélio Fazendeiro garante que requalificar o Parque da Goldra é uma das prioridades do município e espera que ainda este ano se possa fazer alguma coisa, embora não tanto como será necessário, pela dimensão do espaço. O autarca aponta para uma intervenção faseada, com reposição de condições e garantia de segurança, para devolver o parque ao usufruto das famílias e da população. “A ambição que temos para aquele local é grande, pelo que não é seguro que se possa fazer tudo ainda em 2026. Mas, pelo menos, tentar repor as condições de segurança”, salienta.
Sobre a proposta de Cavaco para ali possa surgir um edifício universitário ligado às artes, Fazendeiro salienta que não é a Câmara que determina as intenções de crescimento da UBI, e que a instituição “não manifestou qualquer intenção de aproveitar aquele espaço”, embora caso tal venha a acontecer, “iremos analisar”.
