A covid não assusta festas; o combustível, sim

O que assusta (e muito) é que para se poder usufruir ou marcar presença nalguns destes eventos é precisa uma deslocação, que normalmente é em viatura própria
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Verão, calor, gente na rua, e, um pouco por toda a parte, festas. Desde feiras temáticas a outras de índole mais popular e religiosa. Na nossa beira, nas últimas semanas, são várias as sugestões existentes para passar umas horas, ou uns dias, diferentes, para se divertir.

Se percorrermos o “mapa” de iniciativas viradas para as “massas” de Norte a Sul da Beira Interior, há imensas coisas para fazer nos próximos dias. Desde Vila Velha de Ródão, com a Feira dos Sabores do Tejo, onde estarão Pedro Abrunhosa, Bárbara Bandeira e os DAMA, até Castelo Branco, que também terá por lá uns nomes famosos a actuar nos próximos tempos, ao festival Termas de Monfortinho, que decorre de 15 de Julho a 25 de Setembro com música, cultura e tertúlias, à festa da Transumância e dos Pastores, que regressa a Seia a 9 de Julho, até à Feira dos Pastor de Manteigas, no próximo fim-de-semana, aos Santos Populares na Guarda, as marchas na Covilhã, também este fim-de-semana ou, indo mais longe no tempo, a Feira Medieval de Belmonte, em Agosto. São imensas as sugestões. E gente ávida por estar, fazer, depois de dois anos de pandemia, deverá haver muita. Aos montes.

No passado fim-de-semana tive oportunidade de estar em dois eventos que, normalmente, atraem milhares de pessoas. Em Alcongosta, na Festa da Cereja, onde mais uma vez imensas excursões marcaram presença, e, mais a Norte, já bem junto da fronteira, na Feira da Caça e Pesca de Vilar Formoso, promovida pela Câmara de Almeida. Numa e noutra, ainda se via uma ou outra pessoa com máscara, mas, à primeira vista, e apesar de ainda não estarmos livres da pandemia, a preocupação com o vírus já não assusta tanto como há muitos meses atrás, e o estar em multidão parece ter voltado a ser uma coisa normal.

O que assusta (e muito) é que para se poder andar, usufruir ou marcar presença nalguns destes eventos é precisa uma deslocação, que normalmente é em viatura própria, face à escassez de transportes públicos existentes na região (a que se somou nos últimos dias uma greve que parou comboios, também na Linha da Beira Baixa). E para isso, é preciso combustível. Os dois recentes aumentos de preços, em dois fins-de-semana consecutivos, são aquilo que considero um absurdo, um “cortar” as pernas ao cidadão comum, que face aos ordenados baixos, nem pensará em meter combustível para se divertir em qualquer certame, pois até para se deslocar para trabalhar isso é um custo significativo. Seja de que maneira for, é preciso um travão. Pagar por um litro de gasóleo mais de 2,15 é qualquer coisa que ninguém sonhava, nem sequer nos piores filmes de terror.

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