Um doente oncológico, na Covilhã, não tem as mesmas condições que no resto do País, e para se tratar, tem que fazer viagens regulares a cidades como Coimbra, Porto e Lisboa. E por isso, a região deveria pugnar, em conjunto, pela criação de um centro oncológico. É esta a opinião de Magna Lourenço, eleita independente na Assembleia Municipal da Covilhã, que na última reunião do órgão, no passado dia 27, desafiou o presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, a promover uma ação conjunta entre os municípios da Beira Interior, nomeadamente Fundão, Belmonte, Guarda e Castelo Branco, com o objetivo de pressionar o Governo para a criação deste serviço de saúde.
Apesar de reconhecer que as autarquias não têm competências diretas na gestão hospitalar, Magna Lourenço disse que têm responsabilidade no apoio aos doentes A eleita lembrou que as viagens dos doentes aos grandes centros, os afastam da sua rede de apoio numa fase particularmente sensível, agravando o impacto da doença. A eleita destacou ainda a escassez de respostas locais, referindo que a única associação de apoio oncológico existente no concelho está direcionada para um tipo específico de cancro, deixando muitos doentes sem suporte adequado.
Magna Lourenço apontou ainda o problema da emissão de atestados de doença, uma vez que os hospitais que fazem o diagnóstico estão fora do concelho, verificando-se atrasos que dificultam o acesso dos doentes a apoios essenciais, incluindo financeiros.
“A Covilhã sozinha não tem escala suficiente, mas a região tem”, defendeu, apelando à união entre autarquias, independentemente de diferenças partidárias. A eleita reconhece que a concretização de uma infraestrutura desta natureza poderá demorar muito tempo, mas sugere a exploração de parcerias com unidades de saúde privadas em construção no concelho, como forma de complementar o Serviço Nacional de Saúde (SNS). “Ter cancro já é um fardo suficiente. Não pode custar mais por se viver na Beira Interior”, salienta.
