A “pequena gota” que quer fazer a diferença em Cabo Delgado

Na Covilhã, um grupo de jovens juntou-se para recolher bens e dinheiro para ajudar os refugiados daquele território em Moçambique. Contentor segue esta semana para África
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À porta do piso térreo da casa paroquial de São Martinho, junto à igreja de Nossa Senhora de Fátima (perto do pólo das engenharias da UBI) parece que anda por ali “uma revolução”. Há uma mala, roupa, brinquedos, lápis, canetas, cadernos e caixas, muitas caixas, a invadirem o corredor. Uma “guerra” diária, nos últimos meses, protagonizada por jovens “militares” da cidade da Covilhã, com o objectivo de acudir a quem, por estes dias, enfrenta as agruras da violência, do terror e da chacina em Moçambique

“O que nos motiva é saber que estamos a ajudar. Não somos muitos, somos apenas uma pequena gota num oceano, mas isso não nos desmotiva. Acredito que podemos fazer a diferença” conta Guilherme Gigante, um dos jovens covilhanenses que há meses trabalha numa recolha de bens e fundos para ajudar as gentes que diariamente fogem para Cabo Delgado. A ele, na manhã da passada quinta-feira, 1 de Abril, cabia a tarefa de registar num portátil, em folha de Excel, o material que era colocado em cada uma das caixas que seguirá para aquele país africano. “Separamos as coisas por categorias, enchemos as caixas, numeramos, medimos e pomos tudo numa base de dados que criámos, para termos a noção do que vai” explica o jovem.

São 27 as localidades associadas

A ajudar na tarefa estão mais quatro colegas. Entre eles, Carlota Bom Jesus, aluna da escola secundária Quinta das Palmeiras, e, por assim dizer, uma das mentoras e dinamizadoras do projecto. No meio das diversas caixas de papelão que ela e os amigos estão a catalogar, e a fechar, com fita-cola, Carlota revela o orgulho por aquilo que foi criado apenas na Covilhã, em Novembro passado, se ter estendido praticamente a todo o País. “Quase tudo o que aqui temos é desta zona do País, da região, mas já contamos com a ajuda de outras 27 localidades a nível nacional. A recolha está a ser feita a nível nacional, sendo depois tudo centralizado em Braga. No Porto já são mais de 100 caixas as que temos, mas ao todo, neste momento, nem temos bem consciência do que já conseguimos” exulta a jovem covilhanense.

(Reportagem completa na edição papel)

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