A Univer(cidade)

A história da Covilhã desde há cerca de três décadas tem vindo a mudar
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Foram os primórdios da civilização, particularmente o Egipto e toda a região da Mesopotâmia, quem nos trouxeram e desenvolveram o conceito de “cidade”, enquanto área densamente povoada, onde se agrupam zonas residenciais, comerciais e socio-económicas.

As diversas revoluções, que a história nos fez conhecer, foram alterando o conceito urbano e as mil e uma tendências vão ditando o estilo de vida das cidades. A arquitectura, a preocupação ambiental, o conceito de desenvolvimento, as políticas do momento e tão somente a densidade populacional vão ditando a definição da cidade.

Uma cidade não é um mero núcleo populacional caracterizado por um espaço amplo onde ocorrem relações sociais, culturais e económicas: a cidade são as pessoas, porque tudo o que nela existe servirá para o bem dos cidadãos.

A Covilhã é a nossa cidade. Marcada por um passado “heroico e valente” continua a esforçar-se por ser “das Beiras a rainha”, como o cantou Amália. Porém, os esforços hoje vão para além de uma história afamada.

O conceito de “cidade neve” parece estar a sair da circulação verbal e substitui-se hoje pelo de cidade universitária. De facto, a história da Covilhã desde há cerca de três décadas tem vindo a mudar. A UBI trouxe reabilitação ao património, não apenas dos edifícios que compõem o campus universitário, mas a um conjunto de edifícios que de forma indirecta começaram a servir a comunidade estudantil.

Os ambientes renovaram-se, as oportunidades de negócio ressurgiram e até os franchisings começaram a ver na Covilhã um lugar de investimento. Novos conceitos e novas tendências que vão abrindo portas à cidade serrana, que vai entendendo que o turismo de proximidade parece ser-lhe mais favorável que o de um Inverno passageiro.

Até a geografia humana da cidade se vai alterando. Hoje, as cores da pele são diversas e com elas surge uma grande pluralidade de credos e religiões, de idiomas e hábitos que vão dando vida e perfume à Covilhã.

A arte saiu à rua, as paredes pintaram-se de homenagens e retratam o cidadão comum. Os miradouros ganharam nova vida ao pôr-do-sol e as noites são cada vez mais académicas. Mas depois… depois somos também Covilhã de Julho a Setembro e, às vezes, não parece.

A “polis” grega trouxe-nos uma nova forma na criação da cidade ocidental, que, não é apenas conceito da idade média. A cidade nascia, quase sempre junto a um templo ou a um mosteiro. Daí brotava o saber e o conhecimento, aí se pensava e projectava a vida social. Hoje tudo mudou: a Covilhã renasce à sombra desse saber que a Universidade lhe trouxe e com isso abriu-se à universalidade, dos hábitos, do pensamento, do saber.

A Covilhã, porém, não é apenas UBI! Há uma história que o comprova. No entanto, tem sido a UBI a marcar-lhe o ritmo, é inegável. Isto, porém, não pode ter-se como um dado adquirido. A cidade precisa de ser autónoma, criar as suas estruturas, garantir futuro e desenvolver projectos de sustentabilidade, porque a neve derrete e a universidade põe férias de Julho a Setembro.

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