O Turismo de Portugal lançou na terça-feira, 31 de março, o concurso público para o arrendamento, com opção de compra, do Hotel Turismo da Guarda, cujo vencedor terá de pagar uma renda mensal mínima de 3.858,34 euros.
Segundo o anúncio do procedimento, o concurso destina-se a fins não habitacionais do imóvel, “com vista à realização de obras e posterior exploração para fins turísticos como estabelecimento hoteleiro com a classificação mínima de 4 estrelas, nos termos da legislação em vigor”. A duração do arrendamento é de 50 anos, mas, se o arrendatário acionar a opção de compra, o que poderá fazer a partir do quarto ano, terá de pagar cerca de 6,8 milhões de euros ao Turismo de Portugal, proprietário do imóvel. “O valor da opção de compra inclui o valor de mercado do imóvel após a conclusão das obras, deduzido do montante estimado de investimento em reabilitação, acrescido do valor atualizado das rendas devidas até ao final da concessão”, especifica o Turismo de Portugal.
As candidaturas devem ser entregues no Turismo de Portugal, até às 17 horas do 40.º dia a contar da data da publicitação. A área bruta de construção é de 11.363 metros quadrados. O caderno de encargos obriga o futuro arrendatário a respeitar a traça original do edifício, projetado pelo arquiteto Vasco Regaleira, sob a orientação do ministro Duarte Pacheco, em 1936. “As obras de instalação de um novo projeto no Hotel Turismo da Guarda devem obedecer a rigorosos critérios de respeito pelas pré-existências construídas”, é referido. O vencedor do concurso público está ainda impedido de alterar “a coerência formal e construtiva do imóvel” para viabilizar a instalação do seu projeto. “É expressamente proibida a alteração volumétrica ou a modificação das fachadas, bem como a abertura ou alargamento de vãos nas paredes a preservar”. O Turismo de Portugal considera também “premente recuperar alguns valores arquitetónicos perdidos, clarificando nomeadamente a sua volumetria, anulando ou minimizando o impacto das intervenções posteriores pouco qualificadas”.
Esta é mais uma tentativa de requalificar o Hotel Turismo da Guarda, inaugurado em 1947 e que fechou portas em outubro de 2010. Em abril de 2011, a Câmara da Guarda vendeu o imóvel ao Turismo de Portugal, para realizar um investimento estimado em 10 milhões de euros e reabrir como Escola de Hotelaria e Hotel de Aplicação. Em 2012, o Governo PSD/CDS desistiu do projeto e os Governos seguintes, do PS, optaram por integrar o imóvel no programa Revive – Reabilitação, Património e Turismo. Entre 2017 e 2021 foram feitas três tentativas de concessão, mas sem sucesso. Em 2022, o imóvel foi desafetado do programa, tendo sido integrado na rede de Pousadas de Portugal em 2023. Em dezembro de 2025 foi revogado, por mútuo acordo, o contrato de arrendamento que o Turismo de Portugal tinha celebrado com a ENATUR, voltando o processo à estaca zero.
Esta será sexta tentativa para reabrir aquela unidade hoteleira da Guarda. O vencedor do concurso público agora lançado deverá ser conhecido em maio.
Na passada semana, na apresentação pública deste projeto, no próprio edifício, o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, lembrou os sucessivos falhanços para reabilitar o Hotel Turismo, que classificou de “tiros de pólvora seca”. O autarca diz que a população está, por isso, expectante, “como São Tomé: querem ver para crer”.
Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, foi mais otimista, diz que há grupos hoteleiros que procuram edifícios com estas características e acredita que a obra será inaugurada ainda nesta legislatura, ou seja, até 2029.
FOTO: CMG
