Aberto concurso para restauro e conservação da Torre de Centum Cellas

Autarquia belmontense abre concurso no valor de 224 mil euros para a recuperação e reabilitação da Torre. Depois desta segunda fase de intervenção, avança o Centro Interpretativo
0
497

A Câmara de Belmonte abriu, na reunião pública do executivo da passada quinta-feira, 24, concurso público para a recuperação e reabilitação da Torre de Centum Cellas. Uma empreitada de restauro e conservação que tem um valor de concurso de 224 mil euros (mais IVA).

“É uma obra importante, para nós, e achámos que devia ser esta segunda fase. O objectivo é assegurar que a estrutura que lá está fica preservada, sem perigo” explica o presidente da Câmara de Belmonte, António Dias Rocha.

Depois de, no Verão, terem sido realizadas escavações arqueológicas no local, brevemente inicia-se a segunda fase, de recuperação da Torre, e “depois iremos para a construção do Centro Interpretativo. Era uma obra que queríamos, que achamos que a população do Colmeal merece há muitos anos. Estou satisfeito por ver a obra avançar. Que a torre nos dignifique e possa ser muito visitada no futuro” frisa António Dias Rocha.

O autarca adianta ainda que o empréstimo pedido ao Banco Europeu de Investimento (BEI) “está aprovado” para fazer face a um valor de uma obra “significativo”.

Recorde-se que o investimento total é de quase 600 mil euros, com a Câmara a ter que suportar cerca de 85 mil euros, verba que será coberta com este empréstimo do BEI. Aquando da aprovação do pedido de empréstimo no executivo, Dias Rocha frisava que   com este empréstimo, “face às condições que nos são propostas, e não contando para o endividamento, achamos que valia a pena. É uma verba que nos vai ajudar bastante”.

Um sítio enigmático

Ao longo dos anos, têm decorrido por ali diversas escavações, mas até hoje, ainda não existe nenhuma tese concreta sobre o que teria sido Centum Cellas.

No Verão passado, Pedro Sobral foi o responsável da campanha arqueológica que decorreu neste monumento nacional. Foram encontrados novos dados, mas para o arqueólogo, o local era “um complexo monumental”. Contudo “não sou mais inteligente que outros que já por aqui passaram. Aquilo que eu defendo é que isto não seria uma vila, pois estamos num sítio alto, ao contrário das vilas, como a Fórnea, que ficam em baixas. Era uma torre para ver e ser vista, dominar um território, e construída devido à exploração de ouro e estanho que se fazia no Zêzere. É uma marca de um império” garante.

Os trabalhos mais intensos de escavação foram realizados em 1993 e 1994, sob a supervisão de Helena Frade, já falecida. Depois, durante três décadas, o local não voltou a sofrer qualquer intervenção. O arqueólogo aconselha a que se olhe Centum Cellas sem ser apenas para a Torre. “Ela faz parte de um complexo, com as ruínas, que foram sendo ampliadas. Estou convencido que logo no início, na área fronteira à mesma, havia um conjunto de lagares que davam apoio ao dono da casa, ao Lucius Cecíliu. Em algumas áreas novas que escavámos, apareceu uma estrutura nova, interessante, com uma lápide, dado interessante para aferir o que era este local. As pessoas falam na Torre, mas eu já lhe prefiro chamar complexo monumental de Centum Cellas. Quando isto estiver restaurado, as pessoas vão-se aperceber do que isto é” afirma.

Pedro Sobral não duvida que a valorização do local é um trunfo de futuro. “Com as ilustrações, dinamização e musealização, o público conseguirá entender a verdadeira dimensão de todo este conjunto. Embora a Torre seja um exemplar único no Mundo. Só temos um exemplar parecido na Turquia, mas envolvido numa muralha, o que não é este caso. A sua valorização será uma mais-valia. Haverá uns pontos, em que as pessoas apontam o telemóvel e terão uma realidade aumentada. Vai haver um filme, ilustração, pois é importante uma imagem para mostrar a evolução de tudo isto” afirma Pedro Sobral.

Segundo os primeiros estudos de Helena Frade, Centum Celas era uma vila romana cujo o proprietário estaria ligado à exploração de estanho, tendo sido construída nos inícios do século I e sofrido um incêndio no século III, que a destruiu bastante. Já antes, nos anos 50, tinham existido trabalhos arqueológicos, mas a verdade é que passados tantos anos, ainda ninguém sabe ao certo o que era Centum Cellas.

Comments are closed.