Academia do Sporting da Covilhã pode mudar de localização

Obras de terraplanagem começaram a ser feitas na Boidobra, mas o presidente da Câmara da Covilhã informou que o clube tem “o desejo e a vontade de encontrar outro sítio ainda melhor”
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A Academia de formação do Sporting da Covilhã poderá não ser construída no Bairro da Alâmpada, nos terrenos onde já foram movimentadas terras para o efeito, mas em outro local que a direcção do clube considera mais adequado, uma localização que já poderá estar identificada, informou o presidente do município, Vítor Pereira, no final da reunião do executivo realizada na sexta-feira, 6.

“Constato que o senhor presidente do Sporting da Covilhã tem o desejo e a vontade de encontrar outro sítio ainda melhor do que este, na ótica do Sporting da Covilhã”, revelou o autarca, quando questionado se a ausência, até ao momento, de um acordo com a Universidade da Beira Interior (UBI) para a sobreposição de terrenos interfere com a progressão dos trabalhos de construção da Academia, cuja conclusão dos campos estava prevista para este ano.

Segundo Vítor Pereira, “este assunto não teve nenhuma implicação na vontade que o senhor presidente tem em encontrar ainda melhor sítio do que este” e adiantou que José Mendes “poderá já ter mesmo em vista” um local que considera mais apropriado “para essa mesma finalidade”.

“Foram movimentados terras em propriedade da Câmara na parte mais significativa, e assim continuará a ser, no caso de o Sporting da Covilhã, porventura, optar por outra solução. Mas isso é o menos, o mais é a solução propugnada pelo senhor presidente do Sporting Clube da Covilhã”, enfatizou o presidente do município covilhanense.

Sobre o acordo com a UBI, Vítor Pereira informou não ter sido ainda fechado e estar a trabalhar com o reitor “numa solução conjunta para resolver esse mesmo assunto, porque temos alternativas de espaços”, explicou, realçando não ser uma questão complexa e depender sobretudo “de tempo e disponibilidade de ambos” para consertarem agendas.  “Temos conversado em alternativas, quer propostas pela câmara, quer propostas pela universidade”, acentuou.

Mesma parcela de terreno cedida ao clube e à UBI

Uma parte do terreno de 30 mil metros quadrados cedido em 2019 pela Câmara da Covilhã ao Sporting da Covilhã, e onde decorriam as obras de terraplanagem para a construção da Academia do clube, já tinha sido doada em 1990 pelo município à UBI, que em Janeiro colocou duas placas no local a indicar a propriedade e, no dia 13, reclamou formalmente a posse dos 4085 metros quadrados que lhe tinham sido entregues, sem contrapartidas.

O presidente da autarquia, Vítor Pereira, explicou que em 1990, durante o primeiro mandato de Carlos Pinto, foi doada essa parcela no Bairro da Alâmpada, Boidobra, que a UBI registou em 2002 “a seu favor na Conservatória do Registo Predial”, mas aquela área “não foi abatida ao activo municipal” e continua a constar do património da Câmara da Covilhã.

Com vista à construção da academia dos serranos, em 2016 o município acordou a cedência, no local, de 13.655 metros quadrados e, em 2019, numa altura em que Carlos Pinto era vereador, a Câmara da Covilhã rectificou a área a ceder, para 29.600 metros quadrados, aprovando por maioria a constituição do direito de superfície, por 20 anos, renováveis por períodos de dez anos. A escritura de cedência foi assinada em Julho de 2019, numa cerimónia que contou com o presidente da edilidade e do clube.

“Este terreno foi desanexado e nunca foi abatido ao activo patrimonial da câmara”, esclareceu Vítor Pereira, na reunião pública de 14 de Janeiro, onde informou ter falado informalmente com o reitor, Mário Raposo, e com o presidente do Sporting da Covilhã, José Mendes, garantindo que “todos estão de boa-fé” e “o assunto vai resolver-se”.

O presidente da autarquia sublinhou ser possível conciliar os interesses do município, da UBI e do SCC. “É possível encontrar uma solução”, referiu Vítor Pereira, apontando para a possibilidade de cedência, à universidade, de outro terreno, “até nas proximidades, porque há lá mais terrenos”.

“Sentar-nos-emos à mesa e resolver-se-á a contento de todas as partes”, disse Vítor Pereira, acrescentando que a solução poderá passar pela cedência à UBI de “outro terreno, com a mesma ou área parecida, dependendo do local, do contexto e da finalidade do terreno”, sendo que “se não servir esse sítio, existem outros”.

A parcela foi doada à UBI destinada à “construção de habitação para os fins que a universidade entendesse convenientes”, sem qualquer cláusula de reversão caso não fosse feita obra.

“Aquilo é propriedade da UBI. Que fique bem claro. Não há aqui discussão em torno dessa matéria e, portanto, o que há é uma sobreposição de 4085 metros quadrados”, vincou na altura Vítor Pereira.

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