“É urgente que o Governo implemente um controle efetivo do mercado energético, com particular atenção para o gasóleo agrícola. A regulação dos preços é crucial para evitar que os custos de produção continuem a subir de forma descontrolada”. É esta uma das principais propostas da Associação Distrital de Agricultores de Castelo Branco (ADACB), que alerta para uma possível crise no setor depois das “graves dificuldades” que os agricultores enfrentam, como consequência dos incêndios florestais, no verão, das intempéries dos meses de janeiro e fevereiro (como a tempestade Kristin) e, mais recentemente, da guerra no Médio Oriente, que tem contribuído para um “aumento brutal” do custo dos fatores de produção, nomeadamente o gasóleo agrícola e fertilizantes.
Em comunicado, a ADACB critica a resposta tardia do Governo, “que tem falhado na entrega dos apoios prometidos, deixando os agricultores à sua sorte” e apela a uma atuação “urgente e eficaz”, que permita que os apoios “cheguem de facto a quem precisa”. A associação distrital defende também que sejam priorizados investimentos no arranjo e manutenção dos caminhos rurais e florestais, “essenciais para a circulação e a atividade no terreno”, e expressa a sua insatisfação com a postura das grandes superfícies comerciais, que “em vez de apoiarem os produtores nacionais, continuam a importar alimentos de origem animal e vegetal, agravando às dificuldades de escoamento dos produtos agrícolas a preços compensatórios e prejudicando a economia nacional e a sustentabilidade do setor agrícola português.”
A ADACB associação à Confederação Nacional da Agricultura e propõe a criação de um programa de compras conjuntas de fertilizantes, rações e outros insumos necessários para a produção agrícola. “Esta iniciativa visa reduzir os custos de aquisição, garantir preços mais acessíveis e dar aos agricultores as condições para manterem a sua atividade produtiva de forma sustentável” salienta. E diz ser fundamental que o Governo atue de “forma firme e constante na fiscalização e combate à especulação nos preços dos combustíveis, rações, fertilizantes e outros fatores de produção.” “A maximização de lucros indevidos por parte de alguns agentes do setor não pode ser tolerada, uma vez que agrava ainda mais as dificuldades enfrentadas pelos agricultores e a economia e soberania nacional”, salienta a ADACB.
Sem medidas concretas e urgentes do Governo, a associação distrital acredita que o setor agrícola poderá enfrentar “uma crise profunda, com consequências diretas para a produção alimentar e para a sustentabilidade das explorações agrícolas.”
