Um aumento médio de três euros nas tarifas fixas, bem como um ajustamento gradual das tarifas variáveis. Foi isto que o executivo da Câmara de Manteigas aprovou na sua última reunião, por maioria (abstenção do vereador do PS, Nuno Soares), para 2026, no que diz respeito ao tarifário dos serviços de abastecimento de água, saneamento de águas residuais e gestão de resíduos sólidos urbanos, seguindo valores de convergência com os restantes municípios (Celorico da Beira, Guarda e Sabugal) que integram a APAL (Águas Públicas em Altitude).
O presidente da Câmara, Flávio Massano, admitiu que a subida visa corrigir desequilíbrios acumulados ao longo dos anos, e acusou os seus antecessores de terem empurrado “este problema com a barriga”, algo que tem tentado corrigir nos últimos dois anos. O autarca salienta que se trata de um aumento médio de três euros em tarifas fixas que visam garantir a autossustentabilidade do sistema. Em suma, quem mais consumir, mais paga. “Já não se vão lavar carros gastando cêntimos de água nem encher piscinas com 30 euros”, avisou Massano, apelando a consumos equilibrados na água e atenção ao lixo, cujos custos são significativos para o município.
Nuno Soares, vereador da oposição, apesar de concordar com a convergência tarifária com outros municípios, absteve, e pediu mais investimento na rede para melhorar a eficiência do sistema, combatendo as fugas de água, que diz representarem cerca de 37%. “As perdas e fugas andam na casa dos 37% da água que é captada, portanto é mais de um terço que passa nos nossos depósitos e nas nossas captações não chega às nossas torneiras”, explicou Soares, apelando à colaboração dos munícipes para reportar fugas e desperdícios. “Temos de facto de trabalhar nesta questão”, concluiu.
Manteigas integra a APAL-SIM – Águas Públicas em Altitude, Serviços Intermunicipalizados de Água e Saneamento, uma entidade intermunicipal que foi criada a 19 de fevereiro de 2024 pelos quatro municípios fundadores.
Na sua página pessoal, o presidente da Câmara, Flávio Massano, perante algumas queixas reconheceu que os aumentos podem não agradar à população, mas que a subida é provocada por “anos de incúria e mentiras”. “Ninguém quer pagar mais por algo que temos tão perto e que parece nosso. Só parece, porque não é.”
O município, contudo, apesar das subidas, recorda que continua a existir um tarifário social, para quem tem menos posses, que a autarquia suporta.
