A Câmara da Covilhã interpôs recurso à decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco (TAFCB), que aceitou a providência cautelar entregue pelo parceiro privado da Águas da Serra (AdS), empresa que gere a exploração do saneamento em alta no concelho da Covilhã, para travar o resgate da concessão por parte do município.
O anúncio foi feito segunda-feira, 31, pelo vereador José Miguel Oliveira, após a sessão do executivo, realizada à porta fechada.
“Interpusemos recurso dessa decisão. Estamos a aguardar a decisão do recurso que nós interpusemos, no sentido de perceber se o tribunal nos pode dar razão”, informou o vereador socialista, segundo o qual o tribunal fez uma “análise simplista” e “pela rama” do assunto.
O autarca acrescentou que o município sabia que ia haver luta por parte da empresa e garantiu que a decisão da Câmara da Covilhã de resgatar o saneamento em alta na Covilhã, para baixar o valor dessas tarifas, “já não tem volta atrás”.
“Estamos dispostos, estamos preparados para que, caso este bloquei se mantenha, tomarmos outras medidas para podermos ultrapassar este impasse que nos está a ser criado”, referiu José Miguel Oliveira.
O vereador sublinhou que desde a primeira hora o município tinha a noção de que estava a “mexer na galinha dos ovos de ouro do grupo AGS”.
O TAFCB ordena a suspensão imediata da deliberação da Assembleia Municipal da Covilhã, de 31 de janeiro, considerando procedente a providência cautelar da Águas da Serra (AdS). Para o tribunal, nem a Assembleia Municipal, nem a proposta apresentada pelo presidente da Câmara da Covilhã cumpriam as exigências legais mínimas para que uma decisão de resgate com o conteúdo em causa pudesse ser tomada.
É acrescentado que o interesse público subjacente à decisão de resgate “não está minimamente justificado” pela autarquia, que apenas fundamentou a decisão com razões “puramente financeiras, com vista à diminuição do lucro da concessionária”.
De acordo com o TAFCB, a justificação apresentada é “insuficiente para tornar o direito ao resgate legítimo”, assim como as deliberações da Assembleia Municipal e da Câmara da Covilhã apresentam “deficiências de fundamentação” e “são patentes, graves e incompatíveis com a atuação de uma entidade pública”.
A Câmara Municipal ratificou na sessão de 21 de fevereiro, com os votos dos vereadores da maioria, a proposta de resgate do contrato de concessão dos serviços de saneamento em alta, aprovada pelo executivo em 18 de outubro e pela Assembleia Municipal em 31 de janeiro.
Quando tornou público, em fevereiro, que a AdS, empresa na esfera da AGS, detida pela Marubeni, apresentou uma providência cautelar para travar o resgate, o presidente, Vítor Pereira, afirmou que “era expectável”.
Os vereadores da oposição afirmaram que receberam a notícia “sem surpresa”, lembraram que sempre se manifestaram contra a forma como todo este processo foi tratado e alertaram para “a dura e dispendiosa batalha judicial em que o executivo do PS iria envolver o município e, por consequência, todos os covilhanenses”.