Anticorpos ao novo coronavírus vão ser testados na população da Beira Interior

Projecto da UBI vai nos próximos três meses estudar cerca de 300 amostras, em parcerias com unidades de saúde da Covilhã, Castelo Branco e Guarda
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Um grupo de investigadores da Universidade da Beira Interior (UBI), liderado por Miguel Castelo Branco, vai analisar amostras de cerca de 300 pessoas dos distritos de Castelo Branco e da Guarda para, “num trabalho a alta velocidade”, avaliar a imunidade de grupo na região.

O projeto CheckImmune vai estudar, recorrendo a análises de anticorpos, qual foi o grau de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, responsável pela doença covid-19, na população representada na amostra. Por outro lado, a equipa vai tentar perceber, nesse grupo de pessoas, os que foram positivos, “para ver como se desenvolveram os anticorpos”.  “Esse é o grande objetivo”, explica, ao NC, Miguel Castelo Branco.

“Há um segundo objetivo, que é a utilização de dois métodos diferentes para fazer esta detecção de anticorpos e tem a ver com uma questão de eficácia de custo. Comparando os dois grupos, nós podemos dar sugestões quanto à forma mais rápida, mais barata, de fazer a detecção de anticorpos”, acrescenta o presidente da Faculdade de Ciências da Saúde.

Segundo Miguel Castelo Branco, a detecção de anticorpos é importante para fazer o seguimento epidemiológico no contexto da covid-19. A expectativa é que o trabalho, a levar a cabo nos próximos três meses, por “uma equipa abrangente, de várias áreas”, dê informação “de que vamos precisar nos próximos meses e anos sobre este vírus”.

A detecção de anticorpos em parte da população, detalha o médico, “significa que as pessoas são resistentes à infecção pelo vírus e não e não são tão sensíveis como o resto da população que não tem anticorpos”.

“Quando uma pessoa é afectada por um vírus, uma das coisas que acontece, numa primeira fase, é detectar o vírus, aquilo que neste momento se anda à procura. Numa segunda fase existe uma reacção do próprio corpo que desenvolve anticorpos, o sistema de proteção do nosso corpo contra esse agressor, e esses anticorpos passam a ser detectáveis”, pormenoriza Miguel Castelo Branco.

Mesmo quem não tenha sido testado, mas tenha estado exposto ao vírus, eventualmente pessoas assintomáticas ou que tenham tido sintomas pouco clarificadores, fazem parte desse universo a estudar.

O grupo de trabalho do Centro de Investigação em Ciências da Saúde (CICS-UBI) vai trabalhar com amostras de sangue de pessoas que tiveram infecção, mas também com uma amostra comparativa de pessoas que não foram afectadas pela covid-19.  Essa amostragem de pessoas é retirada da população em geral da Beira Interior que ou não foi testada ou não foi diagnosticada com SARS-CoV-2.

Miguel Castelo Branco acredita que este é um contributo para o estudo do vírus, para mais tarde se perceber qual é a evolução da sua reactividade.

O projeto CheckImmune é um dos dois da UBI com financiamento aprovado no âmbito do fundo de apoio Research4COVID-19, criado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), em colaboração com a Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB).

Os dados permitirão o estudo e controlo de doentes, grupos de risco e população geral para regresso à vida ativa e preparação do Inverno 2020-2021.

O trabalho recebeu um financiamento de 28.750 euros, valor “relativamente pequeno”. “Significa que nós tivemos, para além de envolver as instituições de saúde da região e uma empresa na área dos reagentes, de fazer o desenho de todo o processo de forma que possa decorrer neste período” de três meses, sublinha Miguel Castelo Branco.

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