APD quer iniciar em Setembro treinos de basquetebol em cadeira de rodas

Há cinco cadeiras disponíveis, a precisarem de restauro, e a delegação distrital encetou diligências para conseguir ter mais material
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A delegação distrital da Associação Portuguesa de Deficientes (APD) está a apostar no desporto adaptado como forma de socialização e tenciona em Setembro dar início aos treinos de uma equipa de basquetebol em cadeira de rodas, no pavilhão do Clube Desportivo da Covilhã (CDC), com quem foi assinado um protocolo de colaboração.

O presidente da delegação de Castelo Branco, com sede na Covilhã, Raul Pereira, informa que a APD cedeu já cinco cadeiras, todas elas a precisar de restauro para poderem ser utilizadas, e que, caso esses arranjos estejam feitos, em Setembro as seis pessoas que manifestaram interesse podem começar a experimentar a modalidade.

Raul Pereira sublinha que o equipamento é muito caro e esse é o principal entrave, já que uma cadeira de iniciação custa 1500 euros e uma mais avançada representa um investimento superior a 3000 euros. Por não ter recursos próprios para adquirir material, a delegação da APD está a encetar contactos com várias instituições, como a Federação Portuguesa de Basquetebol, para que lhe possa ser cedido equipamento para a prática da modalidade em cadeira de rodas.

Segundo o presidente da delegação, que na semana passada organizou o segundo torneio da modalidade na cidade, a Câmara da Covilhã manifestou abertura para um apoio específico que permita por em marcha o projecto, através de verbas “eventualmente para algumas cadeiras”, deslocações e outras despesas inerentes ao funcionamento de uma equipa, embora sublinhe que existem contactos com outros municípios e entidades nesse sentido, uma  vez que a delegação representa cerca de 500 associados com deficiência no distrito de Castelo Branco.

“Nós entendemos que o desporto é um meio de inclusão social importantíssimo. A partir do momento em que se começa uma actividade desportiva, a pessoa começa a conviver com outras, a socializar e muita coisa muda”, frisa Raul Pereira.

De acordo com o responsável, mesmo que não seja toda a equipa, a intenção é a partir de Setembro os interessados começarem a ter o primeiro contacto com a modalidade no pavilhão do CDC.

“O basquetebol em cadeira de rodas é um desporto técnico e tem de haver uma grande coordenação com bola e com a cadeira. Isso leva tempo e é preciso perceber se as pessoas se adaptam. Tem de haver esse trabalho. Este ano, a partir de Setembro, temos esse objectivo de começar a levar pessoas ao CDC que queiram começar a experimentar, que queiram começar com a prática da modalidade”, adianta.

Para quem quiser jogar matraquilhos numa mesa adaptada, existe um acordo com o Estrela do Zêzere da Boidobra, onde esse equipamento está disponível para quem queira praticar.

“Queremos que as pessoas com deficiência saiam de casa, tenham uma actividade, convivam, partilhem experiências, por isso estamos a apostar fortemente no desporto adaptado”, sublinha Raul Pereira.

O responsável acentua presidir a uma associação reivindicativa, de defesa dos direitos constitucionais das pessoas com deficiência, e realça as barreiras arquitectónicas que é necessário continuar a enfrentar e que dificultam a circulação e autonomia de quem tem mobilidade reduzida.