Um local onde muitas pessoas encontraram proteção quando a violência parecia não ter fim. Foi assim que a diretora executiva da CooLabora, Graça Rojão, resumiu ontem, segunda-feira, 1 de junho, no Salão Nobre da Câmara da Covilhã, o trabalho feito pela Rede Violência Zero, coordenada pela cooperativa de intervenção social, que assinou um novo protocolo que reforça a territorialização do apoio a vítimas de violência doméstica e violência contra as mulheres.
Segundo Graça Rojão, os números do último ano demonstram a dimensão do trabalho desenvolvido, mas são muito mais que estatísticas. “Representam pessoas que encontraram proteção”, disse. Em 2025, a Rede acompanhou 264 pessoas adultas vítimas de violência doméstica, das quais 90,5% eram mulheres. E realizou 1.840 atendimentos, promovendo 1.265 articulações com entidades da Rede. No que respeita às crianças e jovens, foram acompanhados 119 menores, realizados 670 atendimentos presenciais e efetuadas 60 articulações com a rede.

O documento agora assinado conta com 22 entidades outorgantes, como a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), que assume o acompanhamento técnico, a CooLabora, na qualidade de entidade coordenadora, os municípios de Belmonte, Covilhã e Fundão, e a Comunidade Intermunicipal (CIM) Beiras e Serra da Estrela. Integra ainda as forças de segurança, vários organismos da administração central responsáveis pelas áreas da justiça, segurança social, saúde e emprego, a Universidade da Beira Interior, as comissões de proteção de crianças e jovens da região, a Ordem de Advogados, entre outras organizações.
De acordo com a Coolabora, a Rede Violência Zero tem-se destacado pela celeridade e complementaridade no acompanhamento e proteção das vítimas de violência, e “por constituir uma resposta integrada e articulada, uma das suas principais apostas tem sido a prevenção”. “Realizaram-se dezenas de ações de sensibilização, maioritariamente em escolas, bem como dezenas de ações de formação dirigidas a públicos estratégicos, como docentes, profissionais de saúde, técnicos de apoio a vítimas e forças de segurança”.
O novo protocolo assegura a continuidade deste trabalho e vem reforçar a atuação, integrando novas valências e novos membros.
A Rede existe desde 2010 e a renovação deste protocolo permite introduzir as alterações que surgiram desde 2019, data da última assinatura, nomeadamente na orgânica de várias entidades e incluir novas organizações e consagrar a resposta de apoio psicológico e psicoterapêutico a crianças e jovens vítimas de violência doméstica que a CooLabora criou em 2022.
Presente na cerimónia, a secretária de Estado Adjunta, da Igualdade e da Juventude, Carla Rodrigues, elogiou o trabalho desenvolvido no território e reafirmou o compromisso do Governo com o combate à violência doméstica. Segundo ela, o Orçamento de Estado contempla o maior investimento de sempre nesta temática, num total de cerca de 26 milhões de euros.
