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Arte de escolha múltipla na Rua Wool

O Festival de Arte Urbana da Covilhã realiza-se entre os dias 6 e 16 e uma das novidades é a Rua Wool, para onde estão previstas mais de 30 propostas de várias disciplinas

O mais antigo festival de arte urbana do país, o Wool, começa esta quinta-feira, 6, e durante 11 dias, na maior edição do evento, estão previstas mais de 40 atividades. Numa lógica de dar maior abrangência ao objetivo de trabalhar com a comunidade e de ocupação do espaço público através da arte, no dia 15 a organização estreia a Rua Wool.

Durante oito horas, entre o Largo Senhora do Rosário, junto à Tentadora, a Rua Alexandre Herculano e o Largo Senhor da Paciência, no Centro Histórico da cidade, a criação artística tem rédea solta e é de escolha múltipla.

Na Rua Wool, entre as 15:00 e as 23:00, é possível assistir a concertos, mas também oficinas de fotografia, tatuagem, feltragem molhada, serigrafia e bordado artesanal, a filmes, jogos, instalações, murais participativos, conversas e acompanhar com a oferta gastronómica disponível.

No total, são cerca de 30 iniciativas e “o ambiente que se irá viver nesta nova rua será o destaque”, refere Lara Seixo Rodrigues, uma das fundadoras do Wool.

“A Rua Wool é uma proposta que tenta levar esta vivência de partilha, de encontro, de participação e aprendizagem – formal e informal – ao limite. Encerramos o centro do Centro Histórico da Covilhã, ocupando-o com arte e cultura, também como manifesto, como reclamação ou desenho da possibilidade de um espaço público mais participado, para as pessoas e com menos automóveis, com mais qualidade”, salienta, ao NC, a covilhanense.

A criação da Rua Wool nasce do compromisso do festival em envolver a comunidade nas suas ações, “para que as intervenções fossem compreendidas como património comunitário”, e em atuar no espaço público, numa perspetiva de, através da arte, ser um motor de transformação, explica Lara Seixo Rodrigues, que em 2011 promoveu a primeira edição do Festival de Arte Urbana da Covilhã juntamente com Pedro Seixo Rodrigues e Elisabet Carceller.

A intenção é levar as pessoas, residentes e visitantes, a “descobrir cantos e recantos da cidade”, à medida que visitam as dezenas de intervenções no núcleo central da Covilhã feitas ao longo de 13 anos.

Segundo Lara seixo Rodrigues, a Rua Wool “serão oito horas de intensa atividade cultural e artística, construída com os moradores, vizinhos e convidados, para muitos outros”.

“Uma diversidade e ecletismo que se espelham igualmente nas propostas das inúmeras disciplinas que compõem o programa, que vão, por exemplo, de um workshop de técnica secular, como o bordado artesanal, a uma conversa com o ícone vivo que ajudou a escrever a história do graffiti, sem esquecer os habituais comes e bebes”, realça a promotora.

A música ganha preponderância nesta edição e, além de três miniconcertos em outros dias, estão previstas duas residências com duplas “desafiadas a trabalhar neste e sobre este território”, com o intuito de reforçar a sua identidade sonora e imaterial.

Uma delas com Ana Lua Caiano & as Adufeiras da Casa do Povo do Paul (concerto sexta-feira, 14, atrás da Câmara da Covilhã) e a outra com Silly & Fred, estes dois últimos com a apresentação do resultado agendado para a Rua Wool.

Segundo Lara Seixo Rodrigues, o que vai subir ao palco é o culminar “de uma experiência imersiva de composição e trabalho colaborativo com e pelo território, que nos proporcionará novas visões sobre a nossa própria identidade”.

Foi pedido a todos os artistas o mesmo de sempre: que reflitam a identidade deste território. Aos músicos, o mesmo que é solicitado aos artistas visuais, mas através de ferramentas diferentes.

“As ferramentas de trabalho são distintas, mas a matéria-prima de inspiração é a mesma, a nossa identidade – também sonora. E num território imensamente rico, como é o da Covilhã, e também o mais alargado, a ser trabalhado por talentos enormes, só poderemos esperar algo bastante especial”, frisa Lara Seixo Rodrigues.

A maior edição do Wool

Este ano estão presentes no Wool seis criadores que vão dar nova vida a paredes da Covilhã. O italiano Millo, SpY e Isaac Cordal, de Espanha, a brasileira Mura, a dupla Mots, composta pelo português Diogo Ruas e pelo polaco Jagoda Cierniak, e a portuguesa Daniela Guerreiro são os artistas que, segundo a organização, vão reforçar em número e em qualidade o roteiro de arte urbana da cidade.

O número 57 da Rua Senhor da Paciência, o número 40 da Rua da Ramalha, o número 23 do Largo de São Silvestre e o Pátio dos Escuteiros são os locais intervencionados, tal como outros lugares do centro da cidade, as Minas da Panasqueira e a Rua Senhora da Estrela, na Boidobra.

“Vai ser a nossa maior edição até à data, com mais artistas e mais reconhecidos a nível internacional, murais, mas também instalações, residências artísticas na área da música e também reforço de concertos durante a semana”, salienta Lara Seixo Rodrigues.

A programação contempla também oficinas, como a de stencil, com Samina, no domingo, conversas com artistas, visitas guiadas a pé e de tuk-tuk – este ano um dos dias com língua gestual -, circo contemporâneo, sábado, exposições e uma conferência internacional, que vai debater a arte urbana em territórios de baixa densidade e na qual estarão representados os dois mais antigos festivais de arte no espaço público do mundo: Nuart, na Noruega, e Assalto, em Espanha.

Segundo Lara Seixo Rodrigues, essas participações vão ajudar a refletir sobre a forma de trabalhar estas expressões artísticas nesse contexto e adiantou que as Wool Talks, dia 14, no Centro de Inovação Empresarial da Covilhã, encerram com a poeta Alice Neto de Sousa.

“Trabalharmos mais o Centro Histórico é um dos objetivos definidos desde a primeira edição”, atraindo a esta zona mais pessoas e reabilitando-a “através da arte, não só a nível físico, mas também a nível social”, referiu a promotora do Wool.

A componente musical “aumenta e inova” nesta 11.ª edição. Além das duas residências artísticas, há miniconcertos dia 11 com Jesuíno, dia 12 com Robin Tolle, dia 13 com Saturation Divers e dia 15 um DJ set com X-Acto.

Lara Seixo Rodrigues considera que “o Wool é uma marca da cidade”, que ajuda a internacionalizar muitos artistas e que se projeta a nível nacional na criação artística em espaço público.

 

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