Arte nas ruas do Centro Histórico em julho

A sétima edição do Festival Portas do Sol decorre nos dias 2, 3 e 4

Devolver a rua às pessoas com arte. É este, segundo Sérgio Novo, da ASTA- Teatro e Outras Artes, o grande objetivo do Festival Portas do Sol, que decorre, na sua sétima edição, nos dias 2, 3 e 4 de julho, em pleno Centro Histórico da Covilhã.

O evento, apresentado esta quarta-feira, 3, conta com 44 atividades, de diversas artes, desde a música, literatura, dança, dança aérea, circo, exposições e debates, todas gratuitas, tornando-o no “festival mais democrático possível”, do qual todos podem usufruir, salienta Rui Pires, da ASTA, que organiza o mesmo.

“É um projeto muito difícil de levar a cabo, pois é no espaço exterior, o que torna tudo mais complicado. Mexe muito com o dia a dia das pessoas, o trânsito, o estacionamento, mas já estamos a preparar a próxima edição” salienta Rui Pires, que garante que quem mora no Centro Histórico gosta do festival e até se predispõe a ajudar. “Nós queremos trazer para a Covilhã ruas onde não haja trânsito. Defendemos ruas pedonais, tirando os carros do Centro Histórico, devolvendo-o à população”, garante. Sérgio Novo garante que quem lá mora “não só aceita bem, como anseia que o festival decorra. As próprias pessoas ajudam-nos, na decoração de ruas, por exemplo, e guardam-nos as coisas, pois somos poucos a organizar. Para o ano queremos ver se conseguimos envolver mais diretamente as pessoas na organização”, assegura.

Rui Pires afirma que, além dos espetáculos que já são quase habituais no festival, como o circo acrobático ou a dança aérea na parede da Igreja de Santa Maria, que atrai sempre muito público, se pretende sempre trazer algo novo ao certame. “Por isso propusemos desafios às entidades locais. Tentar que, por exemplo, uma pessoa possa experimentar atividades circenses. Por isso, este ano, temos um acordo com a Associação Estrela 3 Pontas, que de dedica à ginástica acrobática, que irá trabalhar num workshop que irá resultar num dos espetáculos do festival”, garante. Uma outra novidade este ano é uma colaboração com o Museu da Covilhã e Arquivo Municipal, que irão mostrar, em duas atividades, o seu trabalho diário. Haverá também, no campo da música, colaboração com artistas locais. “Gostamos de desenvolver projetos com a comunidade”, salienta Rui Pires.

Este ano, o flyer do evento conta com um mapa do Centro Histórico, pois segundo o responsável, havia espetadores que não passavam do Pelourinho, por não conhecerem as ruas por detrás do edifício da Câmara. “É uma espécie de mapa das artes, pois há pessoas que não sabem onde são os espaços dos espetáculos”, salienta, lembrando que o certame passa por locais como a rua Portas do Sol, Miradouro da mesma rua, rua 6 de Setembro, largo da Igreja de Santa Maria, Largo Dr. Valério de Morais ou início da rua Alexandre Herculano.

Avaliado em 85 mil euros de orçamento, o Festival Portas do Sol tem crescido no investimento, mas também no número de espetadores. Segundo Sérgio Novo, estima-se que no ano passado cerca de 10 mil pessoas tenham passado pelas ruas do Centro Histórico. “Temos crescido bastante”, salienta, num evento que quer dar “a arte ao povo”, no meio da rua. Conta com o apoio da Câmara, em 25 mil euros mais logística, e o resto, com receitas da ASTA, através de parcerias e protocolos, entre os quais verbas da Direção Geral das Artes. “É uma iniciativa que envolve muitos recursos humanos, e este ano, com outros espaços que ainda não estavam no roteiro. Queremos que seja um festival de cor”, afirma Sérgio Novo, que anuncia que haverá, pela primeira vez, um sunset no Miradouro Portas do Sol, mantendo-se, como no ano passado, a comida de rua. “Não é à toa que é idealizado para o Centro Histórico. Porque tem património, paisagem e pessoas, que é o que queremos valorizar. Ter respeito pelo espaço e por quem lá está é o mais importante”, garante.

Regina Gouveia, vereadora da cultura na Câmara, afirma que o Portas do Sol tem também “uma missão social”, constituindo uma das principais atividades da programação cultural anual da Covilhã. “É um festival muito especial, que envolve, que traz arte e abordagens artísticas que nos enriquecem. Traz novidade e desinquieta. É um evento muito importante”, garante.

O Porta do Sol inicia-se dia 2 de julho, às 10:30, com um laboratório para pequenos designers, dedicado à infância, na Galeria António Lopes, iniciativa que se repete no dia seguinte, até às 14:30. Depois, às 17, há uma visita à Rota Portas do Sol, uma exposição, e às 18, um debate sobre arte e espaço público, no largo Dr. Valério de Morais. No final de tarde, um concerto de piano e o sunset no Miradouro são introdução a uma noite que conta com dança aérea, circo e música.

No dia 3, repete-se a visita pelo Centro Histórico, há um café filosófico, e espetáculos de música, circo e dança, com destaque para a dança aérea na parede da Igreja de Santa Maria, às 22:30.

No dia 4, além da música e dança, há performances sonoras e a apresentação de um livro do escritor covilhanense João Morgado.

O Portas do Sol preconiza ainda atividades paralelas como exposições, instalações, uma feira de oferta de livros ou uma feira de artigos em segunda mão.

VER MAIS

EDIÇÕES IMPRESSAS

PONTOS
DE DISTRIBUIÇÃO

Copyright © 2026 Notícias da Covilhã