As contas de 2025 da Câmara de Belmonte foram aprovadas por maioria, na passada quinta-feira, 30, pela Assembleia Municipal, com 15 votos a favor (Nós Cidadãos e PS), e cinco abstenções (eleitos do PSD e da CDU).
Recorde-se que na sessão publica do executivo de dia 24 de abril, o presidente do município, António Luís Beites, tinha revelado que no ano que passou o resultado líquido negativo tinha sido de dois milhões e 386 mil euros, ou seja, mais do dobro do que acontecera em 2024, em que se tinha situado em um milhão 122 mil euros.
Tiago Gaspar, eleito do PSD, afirma que as contas revelam um “evidente desequilíbrio”, e “vários sinais de alerta”, de um problema “real, e não contabilístico”. Apesar de tudo, deu o benefício da dúvida, com a abstenção da bancada social-democrata, pelo facto das contas terem apenas dois meses do atual executivo. “Gastar o dinheiro de empréstimos para pagar pessoal é um problema que não pode ser ignorado”, alertou, pedindo a António Luís Beites prazos para ser adjudicada a auditoria externa, com o autarca a garantir que o procedimento avança esta semana.
Mais uma vez, o autarca belmontense revelou a sua preocupação com a situação financeira da autarquia, com um “desequilíbrio corrente”, mas recordou que apenas tomou posse a 3 de novembro, e que desde aí a Câmara tem trabalhado em modo de quase “poupança total”. Beites recordou que as despesas correntes (energia, água, saneamento e pagamento de pessoal) absorvem a totalidade das verbas que chegam no Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF), na ordem dos 6 milhões e 300 mil euros, pelo que contenção é a palavra de ordem. “Obrigatoriamente temos de reduzir despesas. Estamos numa política de despesa zero. Literalmente isto”, garantiu o presidente da Câmara, que diz estar a honrar os compromissos assumidos com credores.
Reconhecendo que 2026 será um ano de “grande asfixia”, António Luís Beites assegurou que nestes meses de mandato já houve medidas implementadas que trouxeram melhorias. Por exemplo, garante, a margem de endividamento passou de 368 mil euros negativos, em novembro, para 796 mil euros positivos no final do ano. “O intuito é, claramente, que possamos, daqui a um ano, apresentar resultados claramente diferentes destes”, assegura.
