ASTA quer criar “novas memórias” no Centro Histórico da Covilhã

O “Portas do Sol”- festival de artes de rua, decorre na zona mais antiga da cidade entre 30 de Junho e 2 de Julho. Três dias em que a organização espera que se consiga trazer mais gente ao Centro Histórico
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“Queremos criar novas e diferentes memórias a quem circula, que são cada vez menos, no Centro Histórico. Se não houver cá nada, ninguém cá vem”. É esta uma das ideias chave de Rui Pires, da ASTA- teatro e outras artes, que organiza, entre 30 de Junho e 2 de Julho (três dias) a terceira edição do Portas do Sol- festival de artes de rua da Covilhã.

Ao longo de três dias, entre diferentes artes, como a música, teatro ou artes circenses, o público que entre as 18 horas e meia-noite passar pelo Centro Histórico da Covilhã poderá usufruir de 12 espectáculos gratuitos e três instalações. “Teremos esse cuidado, de ser entre as 18 e a meia-noite, meia-noite e meia, não prolongando demais, já que no Centro Histórico ainda residem pessoas, algumas já idosas” explica Rui Pires.

Um festival que nasceu em contexto pandémico e, por isso, com restrições, que este ano já não se aplica, o que aumenta as expectativas já que, nas duas edições anteriores, a adesão foi elevada. “É a primeira vez que fazemos fora da pandemia, estamos expectantes, já que anteriormente houve sempre muito público. As artes de rua são uma área que não estavam ainda exploradas na região” afirma Rui Pires, que acredita haver espaço para, na Covilhã, se criaram grupos desta arte. “É esse um dos objectivos” frisa. O responsável lembra ainda que muitos dos espaços onde houve espectáculos, nos anos anteriores, se mantêm, de modo a fazer do Centro Histórico “um lugar de encontro e não de abandono”.

Festival “sem garantias” para o ano

Esta dinamização de espaços patrimoniais históricos e culturais, como a parede da igreja de Santa Maria, é um dos aspectos enaltecidos por Sérgio Novo. “O que queremos é trazer pessoas para cá” vinca, num festival orçado em 70 mil euros, à base de apoios e patrocinadores, já que “não é um festival fácil de fazer, pois sendo gratuito não temos qualquer retorno financeiro” recorda.

Apesar de ter sido, nos dois anos anteriores, “uma aposta ganha”, Rui Pires não garante o regresso do Portas do Sol em 2023. “Nós, nos dois anos anteriores, não estávamos à espera de tanta adesão. Mas agora é o fim de um ciclo, acabam alguns dos apoios à ASTA e sem financiamento não podemos garantir que para o ano haja festival” afirma.

Da música às artes circenses

Assim, às 19 horas, na igreja de Santa Maria, haverá um recital de música barroca, com Ana Raquel Pinheiro, Marcos Magalhães e Raquel Cravino, e às 21 horas, no Pelourinho, tempo para o circo contemporâneo, com “Raiz”, pelo Circo Caótico, do Porto. A noite fecha com um concerto dos d’Orfeu, de Águeda, pelas 22 horas 3 e 30, no Miradouro das Portas do Sol. “Contamos sempre abrir os dias com música, e acabar com música também” conta Rui Pires.

Dia 1, pelas 19 horas, há música electrónica com Henrique Vilão, que apresenta “Zuhk”, no Miradouro das Portas do Sol. Depois, no palco atrás do edifício da Câmara, teatro, pelas 21 horas, com “Passadeira Vermelha”, pelo BAAL 17, de Serpa. Às 22 horas e 30, a parede lateral da igreja de Santa Maria acolhe o sempre esperado espectáculo de dança vertical, intitulado “Sacred”, pelos espanhóis La Glo Circo. “Este ano será um pouco diferente, já que haverá projecções visuais na parede” explica Rui Pires. Já Sérgio Novo espera, mais uma vez, grande adesão, já que nos dois anos anteriores, “a dança vertical foi aquilo que atraiu mais massas ao Centro Histórico”. A noite finaliza com música dos covilhanenses “made of bonés”, pelas 22 horas e 30, no Miradouro Portas do Sol.

Tiago Nacarato a fechar

Dia 2, sábado, às 18 horas, a pianista Fernanda Carnaud actua na Casa dos Magistrados, depois, pelas 19 horas, há circo contemporâneo com “Fuera de stock”, pelo espanhol Edu Manazas e também às 22 horas, no Pelourinho, com “Marilelas”, pela companhia espanhola “Mariloli”. O momento alto é o fecho da noite, e do festival, pelas 23 horas, no largo da Rua António Augusto Aguiar, com um concerto do bem conhecido cantor português, Tiago Nacarato. “É um grade nome, que pode atrair massas, mas isso não significa que outras iniciativas também não possam fazê-lo” afirma Sérgio Novo, lembrando a qualidade dos espectáculos em causa.

Durante o festival, há três instalações que pode ver: “Nocturno”, de Pedro Fonseca, no Relógio de Sol, “Vistas Efémeras”, da ASTA, na Rua 6 de Setembro, e “QR Code”, da Terceira Pessoa, de Castelo Branco, que “abre” o festival no dia 30 de Junho, às 18 horas, na Casa dos Magistrados.

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