Auditoria às contas da Câmara de Belmonte avança

António Luís Beites segue recomendação deixada pelos eleitos da assembleia municipal. E diz já ter celebrado quatro acordos para pagamento de algumas dívidas

“Iremos dar provimento a esse pedido nos próximos dias”. O presidente da Câmara de Belmonte, António Luís Beites, anunciou ontem, sexta-feira, 27, durante a reunião pública do executivo, que a autarquia vai seguir a proposta de recomendação aprovada, por unanimidade, na última assembleia municipal, para a realização de uma auditoria externa às contas da autarquia, que terá caráter forense.

“Após recomendação da última assembleia municipal, ficou a condição da realização de uma auditoria externa. Obviamente que qualquer processo de auditoria tem que ter uma cronologia em termos dos passos a seguir. Primeiro, fechar as contas, a 3 de novembro. Mas não era possível no dia a seguir iniciar uma auditoria porque até neste mês de fevereiro foram caindo faturas que eram referentes ao final de outubro. Seria um processo sempre coxo. Neste momento as coisas estão estabilizadas, inclusive todas das dívidas que a autarquia tinha” salientou o autarca. Que garante já ter celebrado quatro acordos para pagamento de dívidas e estão já a ser negociados “mais dois ou três”.

Beites salienta que tal situação irá criar alguns constrangimentos financeiros ao município este ano, mas que agora existe “claramente condição de avançar com a auditoria. E é o que iremos fazer. Contratar o processo nos próximos dias. Dando provimento à recomendação aprovada por unanimidade.” O presidente da Câmara de Belmonte diz que, “a única questão” é o espaço temporal da mesma, que não foi recomendado pela assembleia, apontando, porém, que um “timing pertinente” pode ser desde o processo de saneamento a que a autarquia esteve sujeita. “Parece-me que há um timing que pode ser pertinente, desde o processo do saneamento financeiro, considerando que ele veio nessa altura à Camara e Assembleia. Parece-me fazer sentido no pós-processo. Parece-me que serão as datas ajustadas.”

Questionado pelo vereador do PSD, Humberto Barroso, se a auditoria seria contabilística ou forense, Beites admitiu a segunda hipótese. “É uma auditoria externa pelo que tudo tem que ficar devidamente apurada” respondeu o autarca. O vereador social-democrata mostrou-se satisfeito pela decisão tomada, que “já era esperada”. “O povo de Belmonte anseia pelo resultado dessa auditoria. Nada melhor do que fazer um ponto de situação e saber o apuramento dos valores e das responsabilidades”, afirmou.

A Câmara de Belmonte tinha, a 3 de novembro do ano passado, um passivo de cerca de 14 milhões de euros, sendo 12 eles consolidados, e os restantes dois respeitantes à verba de 1,2 milhões de euros vindos do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) para um projeto de requalificação urbanística, para construção de habitação com rendas a custos acessíveis, verba que foi gasta pela autarquia mas não para o efeito delineado; e a cerca de 800 mil euros de rendas adiantadas pelas Águas do Vale do Tejo pelas infraestruturas utilizadas no concelho, segundo números revelados no final de janeiro pelo autarca local.

Ontem à noite, na assembleia municipal, Tiago Gaspar, eleito do PSD, elogiou o facto de Beites ter seguido a recomendação do órgão, mas pediu que a auditoria não se fique apenas por um retrato da situação financeira do município, mas que tenha “efetiva” eficácia após a sua realização, algo que o autarca belmontense assegurou.

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