Autarca da Covilhã diz que inflação afasta empresas de concursos públicos

Vítor Pereira diz-se despreocupado com as contas consolidadas do município, que vive de boa saúde financeira. Mas o que o apoquenta é a inflação, o constante mudar de preços, que afasta empresários de obras que o município possa lançar
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O presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira, revelou na passada segunda-feira, 20, no final da reunião pública do executivo, que a inflação está a afastar muitas empresas de concursos públicos lançados pela autarquia.

“O que me preocupa é a inflação, querer lançar obras e não haver empresas interessadas em fazer. Os preços alteram-se de dia para dia e os empresários, depois, têm receio de não conseguir cumprir os contratos que assinam com a Câmara” disse o autarca, quando confrontado com os números das contas consolidadas de 2021 da autarquia, aprovadas por maioria (voto contra da oposição CDS/PP-PSD).

“Isso não me preocupa. Estamos a falar de contas dentro do município, e o valor em dívida das empresas municipais é quase insignificante” assegura.

Antes, a oposição, pela voz do vereador Pedro Farromba, tinha dado conta do voto desfavorável às contas consolidadas de 2021, um documento “enganador e pouco transparente.” Segundo o vereador, “enganador porque consolida contas de empresas municipais a que este órgão só tem aceso por consulta publica nos sites. Não há qualquer cuidado em trazer a este órgão as contas, mas apenas os pedidos de comparticipação financeira como aliás se viu no pedido feito pela Icovi numa das últimas reuniões de Câmara, onde alertámos para a gestão, digamos pouco cuidada, para não dizer completamente incompetente, dos dinheiros públicos tornando qualquer decisão que aqui possamos tomar enganadora.”

“Anuário contraria o está tudo bem”

Pedro Farromba alerta ainda para o último relatório do ROC na ADC, “onde diz claramente que a Câmara deve à ADC quase 8 milhões de euros, numa dívida que corre todos mandatos do doutor Vítor Pereira e a que o ROC enfatiza como de “incerteza quanto ao recebimento”. O vereador diz que na ADC são gastos “quase cinco milhões em consultoria e assessoria sem critério” e que assim se perceve o porquê de “noutros municípios, como aliás se viu na passada semana em Vila do Conde, se reduz a factura da água. Para os consumidores, na Covilhã estamos quase a atingir o top 10 das águas mais caras do País” aponta.  E acrescenta que “se dividíssemos os valores da divida da CMC à ADC e os valores gastos em consultoria daria para que cada covilhanense pagasse menos 20 euros por mês na sua factura de água.”

Sobre o Parkurbis, “mantemos a mesma ideia que já antes tínhamos manifestado, que enquanto Parque de Ciência e Tecnologia morreu e que a gestão deveria ser entregue ao município, poupando assim largos milhares de euros.” Para Farromba, qualquer afirmação de que “está tudo bem” no universo das empresas municipais “é contrariado sistematicamente, por documentos como o anuário financeiro, em que ano após ano, são apresentados resultados líquidos negativos.”

“Não estamos ricos, mas estamos de boa saúde”

Vítor Pereira desvaloriza as críticas, lembrando que as empresas municipais apenas representam três por cento das contas totais do município e fazem parte dele. “O que estamos a votar são os braços armados da Câmara. Cerca de 97 por cento da consolidação diz respeito ao município e isso já foi feito. As empresas existem por motivos de ordem legal e prática, e tudo o que se diga de dívidas entre esta e aquela empresa que fazem parte do perímetro camarário, é mentira. Não existe” garante.

O autarca diz que as contas consolidadas revelam um passivo total de 58 milhões, sendo 42 respeitantes directamente ao município, e os restantes às empresas municipais. “Na prática, tudo isto é fictício. É como se numa família houvesse um deve e um haver no património financeiro” afirma, lembrando que desde 2013 o trabalho tem sido de consolidação das contas camarárias, em circunstâncias difíceis. “Não estamos ricos, mas estamos de boa saúde. Nestes anos todos abatemos ao passivo 100 milhões. Só não vê quem não quer. Sei que a oposição tem dificuldade em dar o braço a torcer, mas o algodão não engana. E nós não tivemos a sorte de chegar ao município em tempo de vacas gordas. Tivemos a Troika, depois a pandemia e agora a guerra. Mas as coisas fáceis não são para nós” garante.

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