“Não basta lembrar Abril. É preciso cumpri-lo. Com decisões, com investimento, com trabalho e com resultados”. Foi assim que, no passado sábado, o presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, terminou o seu discurso, nas comemorações dos 52 anos do 25 de abril.
O autarca disse que a Revolução dos Cravos exige que a democracia seja compromisso permanente e “ação contínua” dos eleitos, e que não se pode limitar a data a uma recordação histórica, mas sim à prestação de contas de quem assume um mandato para governar. Hélio Fazendeiro recordou medidas recentes anunciadas pelo executivo, entre elas a proposta de isenção de IMI durante cinco anos para jovens até aos 35 anos na compra da primeira habitação para residência permanente na Covilhã, reforçando a aposta na fixação de população jovem. E destacou ainda intervenções e investimentos em curso ou em preparação no concelho, desde a reparação e requalificação de vias, reforço do investimento nas freguesias, apoios ao movimento associativo e a requalificação do Estádio Municipal do Teixoso. “A política mede-se naquilo que se concretiza”, afirmou, defendendo que a resposta ao afastamento e à desconfiança dos cidadãos face à política “não é com mais discurso. É com mais ação”.
Numa visão mais ampla para o concelho, o autarca apontou projetos estruturantes que pretende ver concretizados. “E é com essa ambição que olhamos para projetos estruturantes, que exigem articulação e apoio do Governo e para os quais continuaremos, com determinação, a trabalhar, a exigir e a reivindicar”, disse, elencando “a localização natural da principal Zona Industrial da região para ser motor de desenvolvimento e criação de emprego. A concretização do IC6, que chegará com décadas de atraso. E a melhoria da ligação ferroviária a Lisboa, essencial para reforçar a coesão territorial e a competitividade do nosso concelho. Porque o futuro não se espera. Constrói-se”, disse.
João Casteleiro, presidente da Assembleia Municipal, enalteceu o percurso da Covilhã na educação, ciência e integração, lembrando que “temos obrigação de tornar esta data não só memorável, mas que possa fazer parte da nossa identidade coletiva”.
Pelos partidos com assento no órgão, o PCP, por Marco Gabriel, lembrou as conquistas de Abril em áreas como educação, saúde, habitação e direitos laborais, mas apontou problemas atuais como a habitação, baixos salários, desigualdades, desafios que, diz, exigem aprofundar e não recuar no legado de Abril. Já o Chega, por Amadeu Alberto, questionou se se está a “honrar verdadeiramente Abril”, lembrando a data é “compromisso permanente”. Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, alertou para os perigos do populismo, que diz não ser apenas perigoso ao ganhar eleições, mas também no contágio do discurso político. Já José Páscoa, pelo Movimento Independente pelas Pessoas (MIPP), salientou que os problemas do presente mostram que a promessa de paz, pão, habitação, saúde e educação, de Abril, continua atual. Pelo PSD, António Saraiva, pelo PSD, chamou atenção para desigualdades persistentes, pobreza, discriminação, violência e abandono do Interior.
