O presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, garante que o relatório de gestão e atividade de 2025 do município, aprovado esta manhã, por maioria, pelo executivo covilhanense em reunião extraordinária, mostra que a autarquia vive com uma situação financeira “capaz e saudável”. O relatório, que aponta para um passivo de 39 milhões de euros e uma dívida de 24, ou seja, uma redução de um milhão em relação a 2024, mereceu o voto favorável da maioria socialista, a abstenção dos vereadores do PSD e coligação Mais Covilhã (CDS-PP/IL) e voto contra do eleito do Movimento Independente pelas Pessoas (MIPP).
Carlos Martins, vereador do MIPP, justifica o voto contra com a baixa execução da despesa, o agravamento do resultado líquido económico, a pressão crescente da despesa corrente, e o “forte peso” dos gastos com pessoal, apesar de reconhecer “robustez de tesouraria”. Aliás, o vereador diz que com níveis de tesouraria e saldos de gerência tão expressivos, o município “deveria apresentar um quadro mais convincente de concretização política”. Carlos Martins garante que, da leitura que faz do documento, o município tem “dinheiro em caixa”, mas a gestão “produz pior resultado económico no período”. Para o vereador do MIPP, a autarquia evidencia “crescimento acelerado da despesa corrente” e menor capacidade operacional de gerar caixa. Carlos Martins afirma que o relatório não traduz uma câmara em colapso financeiro, mas também não justifica uma leitura triunfalista. “O que se vê é uma governação financeiramente acomodada, pouco contida na despesa corrente e insuficientemente convincente na demonstração de rigor, transparência e qualidade do resultado”, considera.
Jorge Simões, vereador do PSD, absteve-se na votação, justificando a posição com o facto de o documento refletir sobretudo o período anterior à atual composição do executivo, que tomou posse apenas em novembro de 2025. Porém, criticou um relatório que tem um resultado “negativo de 3,27 milhões de euros, agravando face a 2024, e um aumento de rubricas pesadas, como fornecimentos e serviços externos, gastos com pessoal e subsídios concedidos”. Uma das principais falhas, aponta Jorge Simões, é o relatório de gestão não ter dados atualizados das empresas municipais, ICOVI e Parkurbis, cujos os últimos resultados sabidos são de 2024, em que apresentaram resultados negativos de 175 mil e 51 mil euros, respetivamente. “Continuamos com falta de informação atempada, o que significa que o valor das participações do município não foi corrigido com base na situação de 2025”, disse Jorge Simões, que manifestou ainda preocupação com o montante acumulado relacionado com a Águas da Covilhã, que ascendia a mais de 12 milhões de euros a meio de 2025, questionando o executivo sobre a estratégia para resolver o problema.
Também o eleito da coligação Mais Covilhã, José Santos (substituiu Eduardo Cavaco), em documento escrito que deixou aos jornalistas no final da reunião, justificou a abstenção com aquilo que considera uma gestão “desastrosa” do PS nos últimos 12 anos, em que se “gastou muito, e se fez muito pouco”.
O presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, rebate as críticas. Lembra que 2025 tem apenas dois meses de gestão do executivo que lidera, mas que o seu antecessor, Vítor Pereira, lhe deixou a Câmara com muito mais saúde do que aquela que encontrou em 2013, após a gestão social-democrata liderada por Carlos Pinto. Nessa altura, recorda, o nível de endividamento rondava os 298%, estando atualmente “pouco acima dos 60%”. Em 2025, lembra o autarca, a autarquia registou um passivo de 39 milhões de euros e uma dívida de 24 milhões, “menos um milhão do que no ano anterior.” Hélio Fazendeiro admite, contudo, que processos em curso, como o eventual resgate da concessão das águas residuais à empresa Águas da Serra e a dívida associada à empresa Águas da Covilhã, podem ter impacto futuro nas contas. “São valores que estão em cima da mesa e que podem vir, com alguma dimensão, a alterar esta situação financeira, mas mesmo com essas situações não deixa de ser uma situação muito mais confortável do que aquela que o meu antecessor encontrou”, afirmou.
O edil covilhanense garante que este relatório mostra contas que “comprovam e corroboram aquilo que foram os dados já avançados na incorporação do saldo de gerência”, demonstrando “uma situação financeira capaz, saudável, que deu resposta a um conjunto de evidências e a um conjunto de expectativas dos nossos munícipes e que tem vindo a resolver problemas”. Segundo Hélio Fazendeiro apresentam-se contas “equilibradas, com uma forte execução da receita e com investimento sustentado, que representa também uma estabilidade financeira importante, com capacidade para investimento público”.
No que diz respeito à ausência de dados das empresas participadas do Município, Hélio Fazendeiro explicou que a consolidação das contas, incluindo as das empresas municipais, ocorre habitualmente em junho, realçando que é nessa altura que se aprovam as contas do grupo municipal, e não nesta ocasião, em que o que esteve em cima da mesa foi o relatório de gestão do município.
