Câmara do Fundão deixa cair obra do lar dos Enxames

Autarquia suspende processo, para já, mas não descarta voltar ao projeto. Caso encontre fontes de financiamento que, garante, hoje não existem

A decisão “não encerra” a possibilidade de o projeto vir a ser concretizado no futuro, caso sujam novas oportunidades de financiamento, mas para já, a obra de construção da Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) na freguesia dos Enxames não avança.

Na passada sexta-feira, na reunião do executivo, foi decidido revogar o procedimento, após uma avaliação técnica e financeira “rigorosa” realizada no decurso do concurso público, garante a Câmara do Fundão, em comunicado, que recorda que um procedimento anterior já havia ficado deserto, ou seja, sem nenhum concorrente. “Ainda assim, e reconhecendo a relevância social do equipamento, o Município decidiu avançar com novo procedimento, atualizando o preço base em cerca de 20% face ao valor inicialmente previsto, numa tentativa responsável de acomodar as condições de mercado e permitir a concretização da obra”, salienta a autarquia. Porém, no decorrer do concurso, e após pedidos de esclarecimentos apresentados pelos interessados, “foram identificados erros e omissões relevantes no projeto base, revelando que este não tinha a maturidade técnica necessária para avançar sem revisões significativas.”
Segundo a Câmara, a reavaliação técnica efetuada determinou um acréscimo de mais de meio milhão de euros, relativamente ao valor já atualizado previamente, pelo que o esforço financeiro global do município seria superior a 2 milhões de euros. “Acresce que, com os preços correntes no setor da construção e num contexto de inflação crescente, é previsível que a aplicação da revisão de preços — que nunca será inferior a 20% do valor da obra, acrescido de IVA — projete o custo final para perto de 3 milhões de euros, tornando a operação insustentável financeiramente para o município” salienta a autarquia fundanense.

O município recorda que o financiamento já aprovado no âmbito do PRR ascendia apenas a 715.316,82 euros, o que, desde a origem, “já colocava o projeto numa situação de desequilíbrio financeiro. Sem fontes adicionais de financiamento, o Município não pode assumir encargos que comprometam a sua estabilidade financeira nem alimentar expectativas desajustadas junto da população dos Enxames e da região”, justifica o executivo, que diz ter procurado, de forma responsável, identificar alternativas que permitissem viabilizar a obra. “Contudo, essas alternativas ainda não existem. Assim, e num exercício de transparência e responsabilidade, foi deliberado revogar o procedimento”, explica a Câmara, que admite reconhecer “plenamente a importância social deste tipo de equipamentos em territórios particularmente envelhecidos, como é o caso.”

A autarquia garante que, no futuro, caso consiga outros mecanismos de financiamento, estará disponível para “reavaliar o processo e encontrar soluções que permitam dotar a freguesia de uma resposta social adequada às suas necessidades.”

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