Caravana de centenas de veículos exige fim das portagens

Protesto, com marchas lentas saídas de quatro concelhos, foi considerado “memorável” pela organização
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Empresário na área da metalomecânica, Rui Fazendeiro, covilhanense de 70 anos, considera estarem “a matar o Interior” com medidas que agravam as dificuldades de quem cá vive, como é o caso das portagens. O valor pago tem “muito impacto no aspecto profissional e também pessoal” e a “redução ridícula” anunciada pela ministra a partir de Janeiro, 25% a partir da oitava passagem, fazem-no sublinhar a ausência de alternativas e por isso foi uma das centenas de pessoas que ao final da tarde da última sexta-feira, 20, participaram na marcha lenta de protesto pela reposição das ex-SCUT (vias sem custos para o utilizador).

“Eu ia muito ao Norte e já não vou. Pago mais em portagens do que a uma transportadora para me trazer o material. Se era para isto, deixavam estar o IP2 e faziam a auto-estrada ao lado, não por cima”, censura Rui Fazendeiro, com o carro encostado na berma da rotunda norte do Fundão de acesso à A23, para onde centenas de carros e dezenas de motos convergiram, vindos em colunas da Covilhã, Fundão, Castelo Branco e Guarda.

Com uma bandeira contra as portagens na mão e a outra no volante, em marcha muito lenta à volta da rotunda, Sílvia Ribeiro, 50 anos, empregada de uma lavandaria, fez questão de marcar presença por considerar o pagamento da A23 e A25 injusto e penalizador para quem já tem outros custos acrescidos.

“As pessoas daqui já têm de ir tanta vez a Coimbra ou Lisboa a consultas. Já basta não termos cá alguns serviços, quanto mais termos de pagar portagens. Já viu quanto se gasta em cada uma dessas deslocações?”, pergunta Sílvia Ribeiro, em forma de lamento, satisfeita por ver a adesão ao protesto e com a esperança de que o descontentamento seja ouvido por quem decide. “Se não fizermos nada é que não se consegue mesmo alterar o que está mal, espero que seja desta”, frisa.

(Reportagem completa na edição papel)

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