Carnaval da Neve quer voltar a ser cartaz nacional aos 65 anos

Evento decorre entre 13 e 17 de fevereiro na Covilhã e Penhas da Saúde

Há 65 anos, houvesse chuva, vento ou neve, arranjava-se sempre forma de festejar o Carnaval da Serra da Estrela. E milhares de pessoa vinham à região de propósito, com esse fim. De participar num evento que era “um cartaz nacional”. É este o propósito da organização da edição deste ano do Carnaval da Neve: voltar a dar um cariz nacional a um evento que se iniciou em 1961, teve alguns interregnos, mas que desde 2018 uniu a Câmara e o Clube Nacional de Montanhismo (CNM) de modo a dar vida e alegria não só à zona das Penhas da Saúde, mas também à cidade da Covilhã.

A edição deste ano sai à rua entre 13 e 17 de fevereiro, com iniciativas quer no cimo, quer no sopé da montanha. Num programa recheado de animação, folia e tradições e que tem como principal novidade a realização do primeiro Festival Gastronómico da Panela no Forno.

“São 65 anos de altos e baixos. Houve alturas em que não foi feito, mas a ideia é dar de novo a importância que teve como cartaz nacional” salienta Lino Torgal, do Clube Nacional de Montanhismo. Que será responsável pelas atividades que decorrem nas Penhas da Saúde. Ali, no dia 14, segundo dia do evento, decorre uma caminhada, animação de rua, caso as condições climatéricas o permitam, um Open de Esqui na Estância, o “Carnaval no gelo”, uma ação de patinagem de mascarados na Ice Arena (pista de gelo) e, às 22 horas, o Remember Old Times. “O Carnaval da Neve é uma das nossas principais atividades. Imaginem o que era, há 65 anos atrás, colocar nas Penhas da Saúde pessoas de todo o País para festejar o Carnaval. É um evento de cariz local, mas também turístico, até porque nesta época do ano há milhares de pessoas na Serra” salienta Lino Torgal, que espera que a neve, que este ano veio mais cedo, se mantenha até daqui a cerca de 15 dias. O CNM irá ainda assinalar estes 65 anos com uma exposição no Serra Shopping com os cartazes de divulgação do evento feitos até hoje (aqueles que foi possível recolher), sendo que o primeiro, de 1961, estará exposto. “Foi nos cedido pela viúva de um sócio já falecido” salienta Lino Torgal.

Ante disso, a folia sai à rua logo na sexta-feira, 13, pelas 9 horas. Com o Corso Social que unirá as crianças do pré-escolar, escolas, e idosos das IPSS do concelho. Um desfile que terá um percurso, este ano, mais curto, entre a ANIL e rotunda do Operário. E que, caso o tempo não o permita, se realizará no pavilhão da ANIL. Deverá contar com cerca de 800 pessoas, segundo a vereadora com a pasta da Cultura, na Câmara da Covilhã, Regina Gouveia. “Normalmente, temos cerca de mil pessoas. Este ano um pouco menos, porque o inverno tem sido muito rigoroso. De todo o modo é um número muito bom” salienta, lembrando ser uma atividade intergeracional que une os mais novos aos mais velhos. No final, haverá um lanche partilhado, e a atuação da Fada Juju, em que a dominante será “a mensagem da inclusão” frisa a vereadora. “É um programa que procura criar mais atratividade, partindo de dentro para fora”, refere Regina Gouveia, frisando a importância que esta oferta também tem para reforçar a Covilhã como um dos melhores destinos para passar o Carnaval. A sexta-feira termina com a “Ginástica com folia” e a “Corrida dos Mascarados” no Complexo Desportivo.

Depois de um sábado “virado” para atividades na Serra, no domingo decorre o grande desfile do Carnaval do Mundo, pelas 15 horas, entre a ANIL e Alameda Europa (zona do Serra Shopping), que junta 12 associações do concelho. O foco será o tema da diversidade, e caso chova, o desfile será dentro do pavilhão da ANIL. “Vamos rezar muito para que aconteça na rua, porque é completamente diferente” salienta Regina Gouveia, que lembra que as coletividades há já vários meses que estão a trabalhar nos enfeites e fatos. Estima-se a participação de cerca de 500 foliões.

A grande novidade deste ano é a realização do primeiro Festival Gastronómico Panela no Forno, que tem como rei um prato típico da Covilhã, confecionado com arroz e muito rico em enchidos e em carnes de porco (dobrada, orelheira, pé de porco). Um prato que se liga a esta época do ano, da comida abundante em enchidos e carnes antes do jejum que é próprio da Quaresma. O festival conta com dez restaurantes aderentes, oito da cidade (um dele no Dominguiso) e dois nas Penhas da Saúde.  O objetivo é ter esta oferta na ementa dos restaurantes locais e levar este produto que faz parte da gastronomia local, ligando assim duas marcas que fazem parte da história e da identidade da Covilhã. “Tem tudo a ver com esta época do Carnaval. É um prato identitário e acreditamos que conseguiremos criar esta nova tradição”, confia a vereadora covilhanense.

Regina Gouveia acredita que o facto de, nesta altura do ano, haver imensas feiras, muitas delas ligadas ao queijo, em toda a corda da Serra, e diversos municípios, “não é concorrência”, antes um fator de mobilidade que levará as pessoas de um lado para o outro, beneficiando todos. “Sabemos que esta é uma época muito alta para o turismo, que a ocupação hoteleira anda sempre perto dos 100%. As pessoas podem não vir de propósito para o Carnaval da Neve, mas o facto de existir pode fazer com que fiquem mais tempo”, salienta.

Lino Torgal acredita que, mesmo que venha mais neve, isso não será impeditivo de realizar atividades nas Penhas da Saúde. “A questão do fecho das estradas nas Penhas não se coloca. Pode é ser mais limitativo”, afirma.

Orçado em 70 mil euros (investimento público) e com mais alguns apoios privados, o certame conta ainda, no dia 16, com um grandioso baile de mascarados, com a Banda Kumitiva, com prémios para os melhores mascarados, no Pavilhão da ANIL, e no dia 17, com a Dança de Carnaval, no Pelourinho, e o tradicional Enterro do Entrudo promovido pelo Vitória de Santo António, na Rotunda do Rato.

 

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