Casa Pia foi a Aldeia de Souto homenagear um dos mentores do futebol

Januário Barreto, natural da aldeia, foi casapiano e um dos principais impulsionadores do futebol em Portugal
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É em Aldeia de Souto, pequena aldeia do concelho da Covilhã, que estão muitas das raízes do futebol em Portugal, pela figura de Januário Barreto. Um facto que a equipa profissional do Casa Pia, a militar na Segunda Liga, não quis deixar de assinalar, num fim-de-semana em que veio jogar à Covilhã.

No passado sábado, 27, a equipa, treinadores e dirigentes marcaram presença junto do memorial que imortaliza Januário Barreto naquela localidade, depositando uma coroa de flores para recordar um “dos pais do futebol em Portugal”, segundo o vogal da direcção casapiana, Hélder Tavares. Januário Barreto nasceu em Aldeia de Souto, a 7 de Abril de 1877, onde ainda fez instrução primária antes de rumar a Lisboa para ingressar na Casa Pia. Este homem, que viria a ser médico (e morrer de tuberculose ao assistir doentes pobres durante uma epidemia), em 1893 receberia a primeira bola de couro, vinda de Londres, começando então a criar no seio da instituição uma equipa de futebol. “Foi um dos primeiros árbitros em Portugal e se não fosse ele, a Associação de Futebol de Lisboa não existia” explica Hélder Tavares, também com ligações à terra, uma vez que é natural de Vale Formoso. Januário Barreto viria ainda a ser presidente da Liga Portuguesa de Futebol (Setembro de 1908), o primeiro presidente eleito do Sport Lisboa (que daria origem ao Sport Lisboa e Benfica) e, em 1910, tornou-se também no primeiro presidente do Conselho Fiscal de um clube lisboeta criado por José de Alvalade: o Sporting.  “O futebol português deve muito a este homem, que morreu cedo demais” frisa Hélder Tavares.

Presente na cerimónia, o presidente da União de Freguesias de Vale Formoso/Aldeia de Souto, Daniel Tavares, lembra que o Casa Pia “diz muito à nossa freguesia”, pela relação com Januário Barreto, mas também pelo vogal da direcção, Hélder Tavares, natural da freguesia. E recorda que, também a ele pessoalmente, uma vez que jogou futebol (era guarda-redes) e só por um mero acaso não rumou a Lisboa para jogar nos “gansos”. “Eles (Casa Pia) queriam-me lá e só não fui jogador do clube porque, com 16 anos, a minha mãe não me deixou ir para Lisboa” explica.

José Miguel Oliveira, vereador com os pelouros do desporto e associativismo, agradeceu a singela homenagem a “uma grande personalidade do concelho e do País”, um homem “que lutava pelos seus ideais”.

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