O presidente da Câmara do Fundão, Miguel Gavinhos, deixou ontem, segunda-feira, 19, uma palavra de “solidariedade, mas também de coragem” a todos os produtores de cereja do concelho que perderam parte da sua produção, este ano, devido à chuva e granizo das últimas semanas. Segundo o autarca fundanense, estima-se que 35% da produção, em média, tenha sido perdida, o que representa um prejuízo estimado em cerca de sete milhões de euros.
Durante o tradicional leilão das primeiras cerejas do ano, Miguel Gavinhos disse que, do levantamento feito, a produção do mês de maio foi muito afetada e que existem mesmo produtores que ficaram sem cerca de 80% das cerejas que tinham. “Mas a média, aquilo que estimamos no impacto entre as diferentes zonas do concelho, foi de 35% de prejuízos”, assegurou.
O autarca adiantou que já foi pedida intervenção ao Governo e pedido ao ministério da Agricultura que, “dentro do que possa ser a cobertura para este tipo de prejuízo, possa garantir algum tipo de compensação”, frisou. Mas garantiu que, apesar de tudo isto, o município está empenhado em fazer uma campanha forte de promoção do fruto, como tem acontecido nas duas últimas décadas. “Este é um ano de Mundial de Futebol. Estas campanhas começaram no Euro 2004, quando a cereja do Fundão era `o fruto da nossa seleção`. É o nosso desejo que este fruto possa ser o da nossa seleção e que sirva de suplemento vitamínico para termos também um grande resultado no próximo mês de junho e possamos conquistar o melhor resultado possível no Mundial”, declarou. A Cereja do Fundão IGP (Indicação Geográfica Protegida) é um fruto da região da Cova da Beira, cuja produção, segundo o presidente do município, corresponde a cerca de 65% do total nacional.
Ontem, as primeiras cerejas do Fundão, acondicionadas numa caixa de um quilo com 27 frutos, foram leiloadas por 820 euros, numa iniciativa solidária que marcou o arranque da campanha anual. O valor do leilão, que decorreu na Praça do Município, reverte, este ano, para a delegação do Fundão da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM). “A marca Cereja do Fundão representa a afirmação de um destino turístico e de um território que é rural, agrícola e, sobretudo, também de inovação”, garante Miguel Gavinhos.

Entre as ações promocionais deste ano, uma das novidades é uma parceria com uma artesã local que irá produzir um sabonete de azeite com cereja do Fundão, mas também um pastel de nata “de três camadas”, onde o recheio daquele fruto será incluído. Outras novidades incluem um acordo com uma marca de molhos e condimentos nacional, cujo novo produto a lançar no mercado e que ainda não pode ser revelado, terá “travo” a cereja do Fundão, indicou Gavinhos. Para além de novas embalagens, destinadas a eventos, para consumo imediato de cereja, outra parceria local levará à produção de um sumo 100%, depois de uma colaboração idêntica, realizada há uns anos, com o grupo Sumol/Compal. A programação deste ano inclui ainda uma escultura, intitulada “Coração de Cereja”, da autoria de Pedro Leitão, que será construída com materiais reciclados e instalada numa das entradas da cidade do Fundão, na rotunda da Encosta Verde.
A campanha promocional inclui, como já tem sido hábito, em Lisboa e Cascais, quiosques no âmbito do programa Cereja em Movimento, sendo que o município da “linha” dará destaque à cereja do Fundão, no mercado local, de 20 a 27 de junho. No concelho do Fundão, a Festa da Cereja de Alcongosta ocorre, este ano, de 12 a 14 de junho – mantendo-se, naquela freguesia, o apadrinhamento de cerejeiras, entre outras iniciativas ao nível municipal.
